Professores de universidades pernambucanas anunciam apoio a Haddad

Manuela D'Ávila e Fernando Haddad (Foto: Divulgação)
Manuela D’Ávila e Fernando Haddad (Foto: Divulgação)

O candidato à Presidência da República do PT, Fernando Haddad, recebeu nesta quinta-feira (18), por meio de aliados como o governador Paulo Câmara (PSB), um manifesto de apoio à sua candidatura assinado por vários docentes de universidades públicas e privadas de Pernambuco. Intitulado de “Manifesto democrático em defesa da universidade”, o documento afirma que “Haddad e Manuela D’Ávila (candidata a vice-presidente do petista) constituem a única opção para impedir que o nosso País mergulhe no caos e no totalitarismo”.

Em café da manhã realizado em um bistrô localizado no bairro da Madalena, no Recife, os reitores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anísio Brasileiro, da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Falcão, a reitoria em exercício da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Valdenice José Raimundo, e o vice-reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Marcelo Leão, discursaram no evento. Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) também estiveram presentes.

“No momento político atual em nosso País, percebemos que a candidatura de um professor, doutor em filosofia, e de uma jornalista, parlamentar em muitos mandatos, é a melhor opção para assegurar o crescimento da educação, ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Nosso voto pode assegurar a preservação dos direitos e a manutenção das instituições democráticas. Assim, reconhecemos que

Fernando Haddad e Manuela D’Ávila constituem a única opção para impedir que o nosso País mergulhe no caos e no totalitarismo. Que a coragem, a resistência e a luta do nosso povo não sejam em vão! Convocamos toda a comunidade acadêmica a caminhar conosco e participar das atividades de mobilização em defesa da universidade brasileira”, afirma trecho do documento.

O manifesto – que já conta com mais de 350 assinaturas – foi entregue a Paulo Câmara, à vice-governadora eleita, Luciana Santos (PCdoB), ao senador Humberto Costa (PT) e à deputada estadual Teresa Leitão.

“Vencemos a primeira etapa, em Pernambuco, mas temos um desafio maior de vencer essa segunda etapa no Brasil. Por isso que estamos nesse esforço concentrado, para reforçar valores que nós tanto prezamos e que estão sofrendo um grande ataque dessa postulação. Valores que todos sabem da importância e da luta que foi para consolidá-los no Brasil. Então, precisamos continuar lutando por Pernambuco e por um Brasil melhor, com uma grande vitória aqui para o Haddad. Vamos ajudar o Haddad a vencer, com o Nordeste mais uma vez ajudando o Brasil”, discursou o governador durante o ato, realizado no Meio do Mundo Café Bistro.

O documento é assinado por professores da UFPE, UPE, UFRPE, Unicap, além de outras instituições de ensino privado do Estado. Os apoiadores esperam contar com mais 1 mil signatários até o segundo turno, no dia 28. Segundo os organizadores, o manifesto defende “o enfrentamento à intolerância, ao desrespeito, às
perseguições e ao discurso do ódio, que têm ganhado espaço nas universidades”. Também enaltece a importância “da valorização das pesquisas diante do atual contexto de cortes no orçamento”.

“A comunidade acadêmica da universidade, onde eu tenho caminhado na UPE, o pessoal está preocupado com o momento. Vamos sair, vamos para as ruas, vamos entrar nas redes sociais mais fortes para defender a democracia, e a ciência e tecnologia, a nossa universidade, o ensino público gratuito e de qualidade para as pessoas do nosso País. Vamos estar juntos com Haddad e com Manu. Pernambuco, a situação está resolvida com o governador Paulo e com Luciana. Vamos à luta, companheiro”, afirmou o reitor da UPE, Pedro Falcão.

“Os reitores das universidades federais, reunidos em Brasília, elaboraram um documento na defesa da democracia brasileira, contra qualquer tipo de retrocesso, na defesa das conquistas sociais como cotas, educação gratuita e estamos aqui manifestando a luta em defesa de valores republicanos para o Brasil não aceitar retrocesso”, disse o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro.

Porta-voz do movimento, o presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) – Edeson Siqueira disse que as bandeiras do manifesto são “contra o fascismo, em prol da democracia, Haddad e Manu”.

“A comunidade acadêmica está ativa e atenta a todas essas propostas e essas ações que tendem a destruir a universidade, destruir o sentimento de democracia e liberdade de pensamento que dá sentido à universidade. Sempre estar prontos para combater qualquer ideia autoritária, qualquer concepção que prive as pessoas da liberdade de pensamento e da liberdade de expressão”, afirmou Edeson Siqueira.

O vice-reitor da UFRPE, Marcelo Leão, convocou os apoiadores a mirar nos indecisos porque já que, segundo ele, vai ser difícil mudar a decisão dos “eleitores radicais de Bolsonaro”. Para o vice-reitor, as instituições de ensino superior “vão sofrer bastante” em caso de vitória do capitão reformado.

“A gente tem que estar na luta de forma presencial, virtual, em todos os espaços que a gente conseguir. Porque eu tenho dito sempre: ‘educador não combina com omissão’. Eu não me sentiria digno de ser chamado de professor e educador se eu fosse omisso e eu acho que esse campo que a gente tem que buscar. Os eleitores radicais de Bolsonaro vai ser difícil de mudar a decisão de votar nele. Mas aqueles que estão em dúvida a gente tem que botar na cabeça que: ‘ou você assume as ideias que a gente discorda aqui ou assume ideias no campo progressista’. Porque aqueles que ficarem omissos estarão ajudando a eleger e a elaborar para o futuro do Brasil, um futuro reacionário, de extremos problemas, principalmente, para a nossa Universidade”, afirmou Marcelo Leão.

A reitora em exercício da Unicap, Valdenice José Raimundo, que é pró-reitora de Pesquisa e Extensão, comemorou o fato das universidades tenham se posicionado.

“O meu posicionamento é contra o fascismo, é contra a violência. E fico feliz que as universidades, esses espaços de conhecimento, tenham parado para refletir essa realidade, mas não só para refletir no mundo das ideias, mas também para intervir na transformação da realidade que promove desigualdades”, afirmou Valdenice Raimundo.

“A gente não pode se intimidar. Temos que ir para as ruas, temos que fazer um debate de ideias. Não nos resta outra atitude que não seja resistir, denunciar e ir para luta. Fazer o debate de ideias nas redes e continuar essas iniciativas que estão sendo feitas aqui, como o manifesto, como as atividades em favor da democracia. É isso que nós temos que fazer, lutar até o último dia para garantir que o povo possa ser feliz de novo”, disse Luciana Santos.

O senador Humberto Costa disse está otimista com “a possibilidade de reversão” da corrida eleitoral e que o manifesto injeta “um ânimo maior para dar continuidade a essa luta”.

“Essa luta é muito importante para a gente chamar atenção do povo brasileiro sobre o que representa a possibilidade de ascensão à Presidência da República de uma figura tosca, limitada, despreparada, de extrema-direita e com claros componentes nas suas posições do fascismo”, disse.

A deputada estadual Teresa Leitão, que é presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado (Alepe), ressaltou “a capacidade, a possibilidade imensa de mobilização que a universidade tem”.

“Eu acho de fundamental importância que as universidades se posicionem porque nós estamos numa guerra, uma guerra ideológica, uma guerra política, e o conhecimento e a concepção de construção do conhecimento nas sociedades democráticas é um campo de muita disputa. Então, ter a visão da universidade sobre esta eleição e sobre os dois projetos em disputa é essencial”, disse a parlamentar.

Confira o manifesto na íntegra

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *