Impunidade em Olinda: após 4 anos, polícia não sabe quem matou Sandy

Por Raphael Guerra 

Sandy Evellyn foi encontrada morta em um canal em Olinda. Polícia até hoje não esclareceu o caso

O caso da adolescente Sandy Evellyn Costa Bezerra, de 14 anos, é um exemplo de impunidade. O corpo dela foi encontrado em um canal, no bairro de Águas Compridas, em Olinda, há exatos quatro anos. Até hoje, a Polícia Civil de Pernambuco não esclareceu o crime. Assim como o inquérito que apura a morte de Sandy, outras centenas de investigações se acumulam na Delegacia de Homicídios de Olinda. E as famílias, cansadas de esperar por respostas, cobram por justiça.

Sandy passou quase 24 horas desaparecida até que o corpo dela foi encontrado no canal, em 05 de julho de 2015. Segundo a polícia, um dia antes o namorado aguarda a garota para ir a um culto evangélico, mas ela não chegou ao local marcado. Familiares fizeram buscas, mas encontraram apenas uma sandália que teria sido usada por ela. No dia seguinte, a morte foi descoberta.

Durante esses quatro últimos anos, vários delegados passaram pela Delegacia de Homicídios de Olinda. E toda vez que um novo profissional assumia a titularidade da unidade policial, uma esperança se renovava para a família de Sandy Evellyn. O tempo passou, as respostas para o caso não vieram. E a sede por justiça permanece, assim como o sentimento de impunidade que assombra tanta famílias pernambucanas.

Reportagem publicada pelo Ronda JC, nessa quinta-feira (04), revelou uma grave denúncia. Sem efetivo suficiente, policiais da Delegacia de Homicídios de Olinda estão priorizando as investigações de crimes que ocorreram neste ano. Segundo eles, a determinação, indireta, é feita por gestores da Polícia Civil como forma de mostrar à população que as recentes mortes estão sendo esclarecidas mais rapidamente. O problema, no entanto, é que os casos mais antigos estão parados e impunes.

O mesmo ocorre no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que acumula quase 5,5 mil inquéritos de crimes registrados nos últimos dez anos na capital pernambucana. A denúncia também foi feita por policiais da especializada.

Em nota ao blog, a assessoria da Polícia Civil negou que apenas as investigações de homicídios ocorridos neste ano estão sendo priorizadas. “Não há qualquer proibição de investigação de casos mais antigos. O compromisso da Polícia Civil é de investigação e resolução de todos os crimes letais intencionais contra a vida”, disse a nota. (JC)

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