Ala militar tenta conter crise no Planalto em meio ao coronavírus

Grupo teria enfrentado desconforto com a forma como o presidente da República administra a situação

Redação
Foto: Alan Santos/ PR
Foto: Alan Santos/ PR

 

A ala militar do governo federal tenta conter a crise causada pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em meio à pandemia de coronavírus. O grupo teria enfrentado desconforto com a forma como o presidente da República administra a situação.

De acordo com informações publicadas na Folha de S.Paulo, tudo começou com o estímulo e participação de Bolsonaro no ato do dia 15 de março contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Na ocasião, o Ministério da Saúde já havia recomendado que as pessoas evitassem aglomerações, numa tentativa de conter o novo coronavírus.

A situação foi potencializada depois que o general da reserva Augusto Heleno, chefe da Segurança Institucional, e o almirante da ativa Bento Albuquerque, de Minas e Energia, foram diagnosticados com a Covid-19. Também pesou o incidente diplomático causado pelo deputado Eduardo Bolsonaro e o governo chinês, no qual o filho do presidente afirmou que a culpa de toda a pandemia seria da China.

Administrar a crise tem sido tarefa para o general Walter Braga Netto (Casa Civil), que nesta semana passou a elencar as necessidades dos estados em meio à crise sanitária. Ainda segundo a Folha, os demais militares do governo, entre eles os generais Fernando Azevedo (Defesa) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) têm orientado Bolsonaro a declinar de conflitos com governadores, entre eles João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ).

Ainda de acordo com o jornal, os militares também estão insatisfeitos com a forma como Paulo Guedes tem gerido a questão econômica da crise. A medida provisória que permitia a suspensão de salários por quatro meses foi mal vista. Ministros do STF teriam avisado à ala militar que a medida seria facilmente questionável na Corte.

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