Bolsonaro foi criado pelo “Partido Militar”, que está no poder, diz coronel crítico à politização

Para o coronel Marcelo Pimentel Jorge de Souza, que foi para a reserva em 2018, não há risco de autogolpe “porque os que sempre deram golpe no Brasil ou que participaram de rompimentos institucionais de natureza política já estão no poder”

Crítico ao processo de envolvimento das Forças Armadas na política partidária, o coronel da reserva Marcelo Pimentel Jorge de Souza, afirma que o governo Jair Bolsonaro (Sem partido) foi criado pelo que ele chama de Partido Militar, uma agremiação que não existe na prática, mas que tem origens nos anos 1930, durante a “Intentona Comunista”, e que ganhou força a partir de 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff (PT), quando teria sido gestada a candidatura do atual presidente.

“Não sou eu quem digo isso, é o próprio presidente da República em um vídeo que o seu filho, Carlos Bolsonaro, que é o manejador das redes sociais, colocou no YouTube. Nele você vê o deputado Bolsonaro, alguns dias depois da reeleição da presidente Dilma, na AMAN, “templo sagrado” da formação do oficial do Exército que deveria ser blindado contra interferência política, lançando a própria candidatura a aspirantes que estavam reunidos na última formação antes de deixar a academia para se tornarem oficiais”, conta o militar da reserva em entrevista à coluna Entendendo Bolsonaro, no portal Uol, nesta terça-feira (8).

Segundo ele, o grupo que compõe o Partido Militar – que também agrega civis – é dirigido por generais formados na AMAN na década de 70, a geração na qual se formou Bolsonaro, que reabilitaram a imagem do atual presidente que era de “estorvo” dentro do Exército por causa da tentativa de quartelada nos anos 1980.

Segundo ele, a cisão entre alas ideológica e militar dentro do governo é apenas “um argumento para tentar ajudar o Partido Militar a disseminar uma narrativa de que existe no governo uma briga entre pessoas sensatas e moderadas, que seriam os militares, e pessoas desequilibradas e radicais, que seriam a tal ‘ala ideológica’, movida pelo ‘gabinete do ódio’, que é coordenado pelos filhos do presidente”.

“O núcleo político duro do governo é totalmente integrado por generais da geração de Bolsonaro e Mourão. Logo, a própria aeronave é militar”, diz ele, ressaltando que as crises são “fabricadas” e que “a própria candidatura de Bolsonaro foi uma criação dos generais. Não foi o deputado que decidiu ser presidente de uma hora para outra”.

Jorge de Souza afirma ainda que não há risco de “autogolpe” no governo. “Golpe nada mais é do que a derrubada de um governo por um grupo com força militar e apoio de parcela da sociedade para assumi-lo. Sendo assim, não há que se falar em risco de golpe, porque os que sempre deram golpe no Brasil ou que participaram de rompimentos institucionais de natureza política já estão no poder”.

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