Farc insistem na legalização de cultivos de coca, papoula e maconha
A guerrilha das Farc insistiu nesta quinta-feira (23) em sua proposta de legalizar os cultivos de folha de coca, papoula e maconha na Colômbia para ajudar o sustento de camponeses pobres.
“O governo deve fazer um reconhecimento e difusão das qualidades alimentícias, nutricionais, medicinais e terapêuticas da folha de coca, da papoula e da maconha”, afirmou a guerrilha em um documento lido por seu delegado, Andrés París, horas antes do encerramento do atual ciclo de negociações com o governo colombiano em Havana.
Em meados do mês, a guerrilha já havia proposto a regulação da produção e do mercado de cultivos ilícitos na Colômbia por meio de um programa que proteja econômica e legalmente os camponeses dedicados ao cultivos em questão.
A proposta enfatizava a “substituição dos usos ilícitos dos cultivos de folha de coca, papoula e maconha”, e não a substituição desses cultivos por outros, como pretendem as autoridades colombianas.
A posição da guerrilha permite prever que um consenso em torno deste tema será muito difícil de ser alcançado entre as duas partes, que há 14 meses negociam um acordo de paz que acabe com um conflito armado de meio século.
O plano da guerrilha contempla regular a produção e o mercado da folha de coca, da papoula e maconha, com base no reconhecimento das qualidades alimentícias, medicinais, terapêuticas e culturais, assim como definir em cada caso suas possibilidades artesanais e industriais, segundo a delegação guerrilheira.
As quantidades a serem produzidas serão estabelecidas em função de estudos de demanda potencial, tanto do mercado interno como do mercado internacional. Isso leva à formação de um mercado legal de folha de coca, papoula e maconha, controlado pelo Estado através de um sistema de preços de sustentação e de compras estatais.
O governo acusa as Farc de envolvimento no narcotráfico, algo que a guerrilha nega.
As partes abordaram neste décimo nono ciclo de negociações a questão das drogas, terceiro dos seis pontos da agenda, depois que foram alcançados consensos nos dois primeiros: questão agrária e participação política. (AFP)


























