Ibaneis na marca do pênalti

Opinião

Afastado das suas funções por 90 dias pela caneta implacável do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), corre agora risco de ser cassado. Ontem, dia seguinte aos atos de terrorismo e vandalismo nos três poderes, o Partido Verde protocolou pedido de impeachment.

O documento foi entregue ao presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Wellington Luiz (MDB), e ao vice-presidente, Ricardo Vale (PT), responsáveis por julgar o processo de impedimento. Por que tamanha voracidade na reação das instituições ao governador? Há uma forte desconfiança de que foi omisso ou conivente com a barbárie na capital federal. Afinal, os atos terroristas vinham sendo anunciados nas redes bolsonaristas.

Em coletiva, o ministro da Justiça de Lula, Flávio Dino, disse que o Governo do DF sabia da movimentação e que havia sido alertado sobre a necessidade de reforço na segurança. No entanto, imagens mostram policiais acompanhando o comboio que depois invadiram e depredaram prédios públicos. Há ainda registro de policiais fazendo fotos e conversando enquanto terroristas instalavam o caos. Além daqueles que foram flagrados já dentro dos espaços, sem impedir os manifestantes.

A polícia do DF, assim como na prévia do caos na diplomação de Lula, em 12 de dezembro, não agiu para conter o grupo. As imagens são a prova da anuência dos agentes de segurança e do governo do DF, que não reagiu à altura e em tempo de conter o caos. Um dos indicativos é o nome do secretário de Segurança no DF até o domingo: Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL). No domingo, ao longo do ataque, Torres já não estava em Brasília ou no Brasil, mas nos Estados Unidos, onde também está Bolsonaro.

Em novembro, Ibaneis foi cobrado por ministros do STF sobre a nomeação de Torres. Na ocasião, o governador agora afastado disse aos magistrados que o ex-ministro de Bolsonaro não iria criar problemas. Após a invasão e depredação, Ibaneis esboçou uma reação e exonerou Anderson Torres. Na sequência, fez um vídeo com um pedido de desculpas ao Governo Federal. A gravação, na verdade, era uma tentativa de evitar a responsabilização pelo caos que permitiu se instalar em Brasília e o STF reagiu.

Prevaricação e obstrução – No pedido de impeachment, o PV alega que os atos dos vândalos, “imorais e anticivilizatórios”, foram causados pela incapacidade do Governo do DF de garantir a lei e a ordem. O texto caracteriza, ainda, a ação de Ibaneis e das forças de segurança da capital do país como “comissivas, omissivas e negligentes”. Como possíveis atos ilegais cometidos por Ibaneis Rocha, o documento destaca os crimes de prevaricação e obstrução de justiça, além de atentado contra o Estado democrático de Direito e a Lei Orgânica do DF.

Por: Magno Martins

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *