Por Magno Martins
As duas novas quedas de parte do teto registradas ontem — uma no Hospital da Restauração, a terceira em pouco mais de um mês, e outra na Pediatria do Hospital Getúlio Vargas — reforçam um cenário que já se transformou em símbolo da crise da saúde pública em Pernambuco. A maior emergência do Norte e Nordeste volta a ser palco de um episódio que ultrapassa o problema estrutural e revela um modelo de gestão marcado pela redução de investimentos, diminuição de leitos e incapacidade de enfrentar os problemas reais da rede estadual.
O caso do Hospital da Restauração está longe de ser isolado. Nos últimos dias, o Hospital Agamenon Magalhães registrou dois desabamentos de teto em um intervalo de apenas uma semana. Já a UTI Pediátrica do Hospital Barão de Lucena também sofreu recentemente com a queda de parte da estrutura. A repetição dos episódios em diferentes unidades evidencia que não se trata de um acidente pontual, mas de um problema sistêmico que atinge hospitais estratégicos da rede estadual.
O mais grave é que os desabamentos acontecem em meio a um contexto de superlotação crônica, corredores cheios, pacientes aguardando atendimento por horas e profissionais trabalhando sob condições cada vez mais precárias.
A situação é consequência direta de uma política que reduziu recursos para a saúde e promoveu o fechamento de leitos justamente quando a demanda por atendimento cresce em todo o estado. Enquanto a rede enfrenta dificuldades estruturais cada vez mais visíveis, o Governo Raquel Lyra tem apostado em intervenções que muitos classificam como obras de fachada.
A pintura externa do Hospital da Restauração se tornou um dos principais exemplos dessa estratégia. O mesmo ocorre agora com intervenções na fachada do Hospital Agamenon Magalhães. O problema é que a tinta nova nas paredes não resolve infiltrações, não recupera estruturas comprometidas, não cria leitos e tampouco melhora a qualidade da assistência prestada à população.
A deterioração das unidades também se manifesta de outras formas. Documentos da própria Secretaria Estadual de Saúde já registraram a presença de ratos, escorpiões e outras pragas em hospitais da rede. São relatos que ajudam a compor um quadro preocupante de abandono, incompatível com a importância das unidades para milhões de pernambucanos que dependem exclusivamente do SUS.
Ao mesmo tempo, Pernambuco assistiu ao fechamento de três hospitais e à redução da oferta de leitos durante a atual gestão. Em vez de ampliar a capacidade da rede para enfrentar a crescente demanda, o Estado passou a operar com menos estruturas disponíveis, contribuindo para o agravamento da superlotação e da sobrecarga dos serviços.
A sequência de quedas de teto, a presença de pragas, a redução de leitos, o fechamento de unidades e a superlotação dos hospitais formam um conjunto de evidências que apontam para uma mesma direção: a saúde pública estadual vive uma crise que não pode mais ser escondida por ações de marketing ou reformas superficiais.
O que desaba nos hospitais pernambucanos não é apenas concreto. É a narrativa de que a saúde estaria avançando sob a gestão Raquel Lyra, enquanto pacientes e profissionais convivem diariamente com os sinais de um sistema cada vez mais fragilizado.

























