
Numa das poltronas do voo SA223, que decola na tarde deste domingo de Guarulhos para Joanesburgo, um passageiro com a carreira em turbulência buscará no Estádio Soccer City o céu de brigadeiro. Na quarta-feira, dia do amistoso da seleção brasileira com a África do Sul, Fred estará a 99 dias de sua segunda Copa do Mundo. Porém, para ganhar a confiança da opinião pública, terá de fazer seu futebol decolar.
Os cinco meses de inatividade devido a uma lesão muscular na coxa direita tiraram do atacante do Fluminense a boa forma física e a confiança, a ponto de o técnico Luiz Felipe Scolari ter feito a convocação da seleção em duas etapas. Tudo para vê-lo um pouco mais em ação. Mais do que um voto de confiança, sua presença em Joanesburgo é sustentada pela certeza da comissão técnica de sua importância para o grupo. O coordenador Carlos Alberto Parreira é seu principal defensor:
– Além da qualidade técnica, levamos em conta o que o jogador acrescenta como pessoa, o que ele traz de bom para o grupo. Levei o Fred com 22 anos para a Copa da Alemanha (em 2006). É um gentleman, um bom profissional, não é de faltar a treino… – elogia.
Artilheiro da Copa das Confederações ao lado do espanhol Fernando Torres, com cinco gols, o atacante do Fluminense ficou cinco meses afastado dos campos devido a uma lesão na coxa direita. Voltou, não convenceu, titubeou ao cobrar um pênalti defendido pelo goleiro do Botafogo e, na última partida, garantiu nos acréscimos o empate com a Cabofriense. Na marca do pênalti para muitos, Fred tem milhagem de sobra com Parreira e cartão de fidelidade na seleção brasileira.
– O fato de ele não estar na plenitude da forma não nos preocupa – destaca o coordenador. – Tive um caso parecido com o Branco, na Copa de 94 (nos Estados Unidos). Ele se machucou a dois meses da Copa, e, pela confiança que tínhamos, foi convocado. E deu a resposta – diz Parreira, lembrando o gol que garantiu o Brasil na semifinal.
O ex-lateral-esquerdo Branco aceita ser exemplo e, mais ainda, advogado de defesa de Fred, com quem trabalhou em 2009, quando era coordenador de futebol do Fluminense.
– Fred não é problema. É solução. Sempre mostrou comprometimento, é muito forte fisicamente, e, se vem sofrendo contusões, isso será resolvido pelo bom staff da seleção brasileira – afirma Branco. – Ele é um cara muito legal para o grupo. E isso conta muito em Copa do Mundo.
Enquanto a imagem do inseguro Fred em campo desafia a lógica de Felipão, Parreira e Branco, o departamento médico do Fluminense vai tratando o ídolo com esmero. O fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé, é considerado por Parreira um profissional fundamental no processo.
– Se o Fred ou algum jogador se machucar, isso será um empecilho, sem dúvida. Mas o Fred está lá com o Petrone… Está tudo caminhando bem – encerra Parreira, apertando o cinto de seu otimismo para um voo tranquilo na Copa do Mundo.
Faltam 102 dias para o destino final.
(Extra)























