Polícia precisa rever estratégia para conter avanço do crime organizado, alerta especialista
Para Jorge Melo, estado enfrenta um redesenho do crime organizado, impulsionado por alianças entre facções locais e grupos de alcance nacional

Com mais de 700 mortes violentas registradas em 2025, conforme dados divulgados pelo bahia.ba na última terça-feira (14), Salvador vive um cenário de crescente preocupação com a segurança pública. Para o professor e policial reformado Antônio Jorge Ferreira Melo, é urgente rever a estratégia de atuação do Estado para conter o avanço da criminalidade na capital baiana e em outras cidades do estado.
Em conversa com o bahia.ba, o especialista destacou que o poder público precisa retomar práticas antigas de policiamento que, segundo ele, eram mais eficazes no combate ao crime e na manutenção da sensação de segurança da população. “É preciso mudar as estratégias, e uma das minhas convicções é de que o Estado precisa voltar a ocupar territorialmente toda a cidade e não apenas fazer incursões quando estão ocorrendo determinados confrontos em determinadas áreas”, explicou.
Melo também criticou a ausência do policiamento de proximidade. “Hoje em dia, praticamente, não temos mais policiamento a pé. Policiamento é só motorizado. É claro que a tecnologia auxilia e deve ser utilizada, mas ela não substitui algumas boas práticas”, completou.
O professor defende que a atuação policial deve ser contínua e não pontual. “Atualmente, se a polícia entra em um determinado lugar, é necessário manter um trabalho ali. Se você pacificar e se retirar em seguida, vai voltar a ocorrer os mesmos problemas, pois os criminosos vão querer tomar novamente a localidade”, afirmou.
Atuação policial
Questionado sobre os números do Instituto Fogo Cruzado, que apontam que mais da metade das mortes violentas registradas em 2025 ocorreram durante ações policiais em Salvador, o especialista afirmou que a estatística reflete o enfrentamento direto entre as forças de segurança e o crime organizado.
“A polícia precisa agir. Hoje, a população está refém do crime organizado. O morador não pode fazer símbolos, usar camisas e é obrigado a utilizar serviços disponibilizados pelas facções, como TV e internet. Quando a polícia entra nessas áreas, é recebida a tiros e precisa revidar. Então, é uma consequência natural haver essa porcentagem de mortes”, disse.
Para Melo, o estado enfrenta um redesenho do crime organizado, impulsionado por alianças entre facções locais e grupos de alcance nacional. “As facções criminosas que hoje atuam aqui estão cada vez mais fortes por conta das alianças com facções com atuação nacional, como o Comando Vermelho e o PCC”, concluiu.


























