ENCONTRADOS OS RESTOS DE CAMILO TORRES

O Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, divulgou ontem nota reconhecendo a autenticidade do achado dos restos do Comandante Camilo Torres Restrepo, desaparecido há 58 anos. O achado é fruto do trabalho de uma equipe de antropólogos forenses da Unidad de Búsqueda de Personas dadas por Desaparecidas (UBPD) e do Instituto Nacional de Medicina Legal y Ciencias Forenses.
Nascido em Bogotá no dia 3 de fevereiro de 1929, Camilo, que era padre católico e sociólogo, foi um dos fundadores da faculdade de Sociologia da Universidade Nacional da Colômbia. Mais tarde, já na política, foi fundador da organização Frente Unido del Pueblo. Como sacerdote foi também um dos primeiros a assumir a Teologia de Libertação, sendo um de seus precursores. Marxista, entendia que a justiça social deveria ser buscada, aqui e agora, e não abria mão da vinculação direta com os trabalhadores.
Foi ordenado padre em 1954 e quando esteve na Europa acabou envolvido com grupos da resistência argelina, forjando assim o seu compromisso com as causas sociais e com a revolução. Ainda na França dedicou-se aos estudos e organizou grupos de pesquisas que tratavam da realidade do povo colombiano. De volta à Colômbia no começo dos anos 1960 dedicou-se ao ensino de sociologia e foi nomeado capelão da UNC.
CAMILO TORRES REVOLUCIONARIO
Carismático e grande orador, logo conseguiu reunir estudantes no debate sobre a política e dos temas que afetavam a vida dos colombianos. Na sua ação como sacerdote cercava-se dos empobrecidos, assumindo com eles a luta por libertação.
Demitido das funções na universidade por conta de suas atividades sociais e políticas ele acabou renunciando ao sacerdócio no ano de 1965, quando na Colômbia já se consolidavam os grupos armados de defesa popular e de libertação. Assumindo a dor do povo e extremamente vinculado aos camponeses e trabalhadores, Camilo, que já havia criado a Frente Unido Del Pueblo, decidiu entrar para a guerrilha armada e se inscreveu nas fileiras do ELN. Sua ação nesta frente não demorou pois, cerca de quatro meses depois morreu em combate aos 37 anos. Sua figura alegre e comprometida já estava gravada no coração das gentes e, mesmo morto, Camilo virou uma referência na luta revolucionária.
Na época de sua morte, os agentes do estado, sabedores do carisma do sacerdote, decidiram esconder seu corpo para que o local de seu túmulo não virasse um centro de peregrinação ou de culto à sua memória. E, assim, ele ficou escondido por 58 anos. O que, de certa forma foi inútil, pois Camilo nunca foi esquecido.
Os restos mortais do comandante guerrilheiro, abatido em 15 de fevereiro de 1966, foram encontrados no departamento de Santander e a confirmação oficial se deu no dia 23 de janeiro. O resultado se baseou na revisão de documentos históricos, recompilação de testemunhos e uso de ferramentas geométricas e forenses.
As pesquisas sobre os restos mortais de Camilo começaram oficialmente em 2019 e os progressos mais significativos só puderam ser alcançados nos últimos dois anos justamente por conta das novas técnicas forenses.
Agora, os seus restos mortais serão entregues à Universidade Nacional onde Camilo foi professor e capelão.
Para os trabalhadores e lutadores sociais da Colômbia este achado é muito importante, pois agora todos poderão honrar a memória daquele jovem padre que, entendendo a realidade de seu povo, não se furtou a entregar sua vida para garantir um país livre e soberano.

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