“Atualmente, enfrentamos uma realidade degradante que impede o pleno desenvolvimento acadêmico: ares-condicionados sem manutenção ou quebrados em meio a recordes de temperatura, levando alunos e professores ao mal-estar físico”, disse o texto.
Além do calor, também foi denunciada a presença de mofo nas paredes, que expõem os alunos a situações inadequadas e podem agravar problemas de saúde.
Outra reclamação foi o sucateamento do mobiliário, com cadeiras quebradas e insuficientes para atender a demanda dos estudantes, assim como a superlotação das salas, que não conseguem comportar as turmas adequadamente.
“Não pedimos apenas reparos; pedimos respeito e dignidade. Para que haja uma real compreensão do que enfrentamos, convidamos formalmente a Direção do Centro e a Reitoria da UFPE a passarem um dia inteiro assistindo aula em nossas salas. É impossível planejar o futuro da educação de dentro de gabinetes climatizados enquanto o corpo discente e docente padece sob o calor e a negligência”, continuou a postagem.
Segundo Lívia Tavares, aluna do curso de Letras – Bacharelado, a solução que os professores encontram é mover a turma para outras salas.
“Mas isso nem sempre é possível, já que é muito difícil haver salas em condições suficientemente boas, e as melhores salas à disposição, aquelas que ainda têm ar-condicionado, são muito pequenas e têm muito mofo. O resultado é que nem os professores nem os alunos se sentem aptos a promover boas aulas e discussões.”
Para Beatriz Araújo, que também é estudante do curso de Letras – Bacharelado há quase dois anos, os alunos vêm sofrendo com o descaso vivenciado no departamento.
“Apesar de passar por reformas com certa constância, o departamento de Letras não parece atingir uma estrutura estável: passamos, meus colegas e eu, por determinadas salas de aula sem ar-condicionado, com vazamento (que, numa aula de cinquenta minutos, acabava por alagar o chão) e até com um buraco na parede”, contou.
A aluna também comenta que a situação precária não é exclusiva dos estudantes de Letras. “O calor é mesmo uma grande questão… pelo que eu entendo, o prédio do CAC não foi feito pra deixar o frio dentro, nosso corredor não tem lá muita corrente de ar. No sol poente, então, não tem porta ou janela aberta que resolva”, disse.
“Com os banheiros, são fases de limpeza diária e então fases de descaso. O cheiro chega a ser insuportável. Vejo como um problema de saúde pública, com certeza”, completou Beatriz.
Na visão de Ana Júlia de Albuquerque, discente de Licenciatura em Letras-Português que preside o diretório acadêmico, a realidade das salas de aula vem atrapalhando o desempenho dos alunos em seus estudos.
“Os estudos neste momento, no Centro de Artes e Comunicação, têm sido um ato de resistência física e mental. Estamos sem conforto, sem segurança, sofrendo negligência, no calor. A universidade é um ambiente dedicado para formar profissionais e tem sido cada vez mais impossível fazer isso com excelência”, afirmou.

Em contato com a Folha de Pernambuco, a Universidade Federal de Pernambuco respondeu em nota que “está adotando todas as providências cabíveis e céleres para solucionar a questão da climatização na instituição de uma forma geral e não apenas no Centro de Artes e Comunicação (CAC)”.
Além disso, a Administração Central da UFPE destacou “que está empreendendo esforços significativos, dentro de um quadro de crise orçamentária nas universidades públicas federais, para a manutenção da infraestrutura da Universidade”.
“Em relação a outros problemas citados, a gestão não foi notificada, mas buscará informações junto à Direção do CAC para que estas questões sejam resolvidas de forma conjunta”, completou a nota.


























