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Em meio à pressão dos professores e beneficiários pelo recebimento de alguma parcela dos precatórios, gestão Campos tem priorizado uso dos recursos para pagar despesas previdenciárias e quitar despesas em aberto com prestadores de serviços e fornecedores próximos à gestão do PSB
Do Blog Manoel Medeiros
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), renuncia ao cargo nos próximos dias sem cumprir um compromisso com os professores municipais: o pagamento de parte dos precatórios obtidos em acordo junto à governo Lula, firmado há um ano. Na época, a promessa era que os R$ 900 milhões pactuados – a serem pagos em três parcelas – seriam totalmente investidos na educação pública do município, entre o pagamento de créditos aos beneficiários e investimentos na rede.

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Não foi o que aconteceu. Diante da crise financeira na Prefeitura, decorrente de três anos seguidos de mais gastos do que receitas, a gestão João Campos optou por leiloar R$ 567,1 milhões, antecipando recursos para cobrir o déficit de 2025. A operação levou a um prejuízo à educação pública municipal de R$ 124 milhões, beneficiando o Itaú Unibanco S.A., vencedor da disputa.
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Em novembro do ano passado, o banco repassou R$ 443 milhões às contas da Prefeitura. Após pressão, o prefeito se comprometeu a pagar R$ 30 milhões desse montante, referente aos juros dos precatórios, para pagar como abono aos professores beneficiários até 15 de fevereiro. O pagamento não ocorreu.
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Há um movimento nas redes sociais pressionando o gestor a tomar providências nessa última semana, mas o próprio caminho escolhido pelo prefeito – de repassar ao Simpere a organização do pagamento, com pagamento de 20% para escritórios de advocacia próximos à cúpula política da gestão – atrapalhou o processo. Há uma auditoria em curso no TCE e uma denúncia em análise no TCU.

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Na prática, dos R$ 900 milhões obtidos no acordo assinado junto ao presidente Lula, e festejado na comunicação oficial do prefeito, já foram gastos R$ 124 milhões com a operação do Itaú e mais R$ 204 milhões usados pela Prefeitura do Recife entre o final de 2025 e o início deste ano para pagamento de dívidas – sem nenhum pagamento aos beneficiários de fato, os professores.
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Esse ano, a gestão Campos pagou R$ 52,6 milhões para cobrir pagamentos do Recifin e R$ 20,6 milhões do Reciprev. Em dezembro do ano passado, desses valores dos precatórios, a Prefeitura gastou R$ 82,2 milhões com pagamentos previdenciários e outros R$ 48,9 milhões quitando dívidas com empresas próximas às gestões do PSB, a exemplo de R$ 1,3 milhão pago à Aço Concept, empresa de um amigo do cunhado do prefeito, que já faturou R$ 8,0 milhões junto à gestão atual desde 2023, quando deixou de ser microempresa individual.
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Outros repasses com recursos dos precatórios quitaram pagamentos com a Móveis Kutz (R$ 6,8 milhões), uma empresa de fiscalização de obras (R$ 3,2 milhões), Jatobarretto Distribuição (R$ 1,5 milhão), FM Comércio de Móveis (R$ 1,3 milhão). Todas as empresas são prestadoras de serviço ou fornecedoras de itens com histórico de atuação e trânsito junto às gestões do PSB em Pernambuco e no Recife.
























