Por que não pode comer carne na Sexta-feira Santa? Entenda a tradição cristã
Segundo a igreja, a Sexta da Paixão é um convite ao recolhimento e à memória do sacrifício de Jesus
Por Ana Beatriz Sousa

Membros da Legião Espanhola carregam uma estátua representando “El Cristo de la Buena Muerte” (o Cristo da boa morte) na Igreja de Santo Domingo de Guzman durante a procissão da semana Santa do ‘Cristo de Mena’ em Málaga, no sul da Espanha. Crédito: JORGE GUERRERO / AFP
Com a chegada da Semana Santa, a venda de peixes cresce e o cardápio das famílias brasileiras muda drasticamente. Mas você já parou para entender o real motivo por trás da ‘proibição’ de comer carne na Sexta-feira Santa? Longe de ser apenas uma ‘regra’, essa prática carrega um simbolismo profundo para milhões de cristãos ao redor do mundo.
A Sexta-feira Santa, que em 2026 será celebrada hoje, no dia 3 de abril, marca a crucificação e morte de Jesus Cristo. Para a Igreja Católica, este é um dia de luto, silêncio e, acima de tudo, penitência.
Na tradição antiga, a carne vermelha era vista como um alimento de ‘celebração’, associado a banquetes, prazeres e fartura. Como a Sexta da Paixão é um dia de tristeza e reflexão sobre o sofrimento de Cristo, a Igreja propõe que os fiéis abram mão desse prazer em sinal de respeito.
O peixe acabou se tornando o substituto oficial por ser historicamente considerado um alimento mais simples, ligado à vida dos apóstolos (muitos eram pescadores) e à própria humildade de Jesus.
Muita gente procura um versículo que diga explicitamente ‘não comerás carne na sexta’, mas a orientação funciona de forma mais ampla. Na Bíblia, em Mateus 9:15, o próprio Jesus menciona que seus seguidores jejuariam quando o ‘noivo’ (Ele mesmo) lhes fosse tirado.
Já a regra prática vem do Direito Canônico (o conjunto de leis da Igreja), que no cânon 1249 estabelece que todos os fiéis devem fazer algum tipo de penitência comum. A abstinência de carne na Sexta-feira Santa e na Quarta-feira de Cinzas é a forma mais tradicional de cumprir esse preceito.
Vale lembrar que existem duas práticas diferentes para este dia:
Abstinência: É o ato de não comer carne (vermelha ou branca de aves).
Jejum: É a redução na quantidade de comida (geralmente uma refeição completa e duas muito leves).
Essa ‘folga’ na carne vermelha faz parte da Quaresma. São os 40 dias de preparação espiritual que começam na Quarta de Cinzas e terminam no Domingo de Páscoa. É um período onde o sacrifício serve para lembrar ao fiel que o espírito deve prevalecer sobre as vontades do corpo.

























