Por Magno Martins
A ideia de uma “realidade paralela” ajuda a explicar o tom adotado pela governadora Raquel Lyra (PSD), que teve o atrevimento de postar em suas redes que o Palácio das Princesas, sede do Governo do Estado, estava sendo aberto, finalmente, ao povo pernambucano pela primeira vez, somente com a sua chegada ao poder.
Isso em parte dá o tom de sua comunicação política. Ao sugerir, ainda que indiretamente, que Pernambuco começa a existir a partir de sua gestão, constrói-se uma narrativa que ignora deliberadamente a trajetória histórica do Estado, como se antes não houvesse avanços em infraestrutura, saúde, educação ou segurança pública.
Esse tipo de abordagem não apenas simplifica a realidade, como também desconsidera o acúmulo institucional construído ao longo de décadas por diferentes governos. Essa tentativa de reescrever o ponto de partida também aparece quando a governadora se apresenta como a primeira a “abrir as portas” do Palácio do Campo das Princesas à população.
A história, no entanto, não corrobora essa afirmação. Lideranças como Miguel Arraes fizeram da proximidade com o povo uma marca de gestão, mantendo diálogo direto e simbólico com a população pernambucana. Mais do que um debate sobre estilo, o que está em jogo é a construção de uma narrativa política que, ao exagerar rupturas e minimizar continuidades, pode soar desconectada da percepção coletiva.
Esse tipo de discurso, comum em certos setores mais radicalizados do debate público, aposta na ideia de que é possível redefinir a realidade pela repetição — mesmo quando ela entra em choque com fatos amplamente conhecidos.


























