Escala 6×1: entre o direito ao descanso e a sobrevivência das empresas

Por Rinaldo Remígio*

Na condição de profissional que assessora empresas de pequeno, médio e grande porte há 37 anos, vejo com muita preocupação a possibilidade de aprovação da proposta que tramita atualmente na Câmara Federal tratando da chamada escala 6×1.

É claro que existem atividades que realmente exigem maior tempo de descanso físico e mental para os trabalhadores. Isso é humano, necessário e justo. Porém, também sabemos que existem outras atividades cuja dinâmica operacional permite continuar no regime atual sem maiores prejuízos à saúde do colaborador ou à produtividade da empresa.

O grande problema é quando se tenta estabelecer uma regra geral para realidades completamente diferentes.

Precisamos pensar também em quem gera emprego neste país. O empresário brasileiro, principalmente o pequeno e médio empreendedor, enfrenta diariamente uma verdadeira guerra para manter as portas abertas. A carga tributária é elevada, os encargos sociais são pesados, o ambiente burocrático é sufocante e, muitas vezes, o setor produtivo ainda é tratado com desconfiança e até com certo desrespeito.

Diminuir a carga horária e manter o mesmo salário impactam diretamente o caixa das empresas. E isso não é discurso ideológico, é matemática empresarial.

Muitos empresários já operam no limite. Alguns sobrevivem com dificuldade, lutando para honrar folha salarial, tributos, fornecedores e encargos. Dependendo da forma como essa mudança venha a ser implementada, o resultado poderá ser exatamente o contrário do desejado: redução de vagas, aumento da informalidade, terceirizações excessivas e até fechamento de empresas.

É preciso equilíbrio.

O trabalhador merece qualidade de vida, sem dúvida alguma. Mas quem empreende também merece segurança jurídica, previsibilidade e condições mínimas para continuar investindo, produzindo e empregando.

O Brasil precisa aprender, de uma vez por todas, que não existe emprego sem empresa viva.

Que o Congresso Nacional tenha sabedoria para ouvir trabalhadores, empresários, economistas, juristas e especialistas antes de tomar uma decisão que poderá impactar profundamente toda a cadeia produtiva nacional.

Porque, no final das contas, quando uma empresa fecha, todos perdem.

*Professor universitário aposentado, administrador de empresas, contador e mestre em Economia.

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