Direto de Lisboa: Luiza Brunet comenta sobre abuso de crianças na Ilha de Marajó: “Quem fala que não existe porque não foi lá”

A modelo e atriz brasileira, Luiza Brunet, participou nesta segunda-feira (1º), da 14ª edição do Fórum de Lisboa, evento coordenado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O encontro acontece na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), e terá como tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
Em entrevista exclusiva ao Bnews, a modelo contou sobre a experiência de conhecer a Ilha de Marajó, no Pará, e constatar uma realidade muito dura de crianças que são abusadas sexualmente e moralmente. Ela aproveitou para frisar que quem desacredita dessa realidade é que não foi ao local.
“Isso é um tema complicado, né? Porque quem fala que não existe porque não foi lá, não viu ou talvez as pessoas se usem desse tipo também de problema para camuflar outras coisas. O que eu vi lá foi uma realidade bem dura. Eu conheci meninas e meninos que são abusados regularmente, não só sexualmente, mas moralmente”, comentou a atriz.
“São crianças que não têm oportunidade, são crianças carentes, são crianças que não têm cuidados com saúde, com a educação, são crianças que não ganham brinquedo no Natal, são crianças que se alimentam mal. Então assim, existe um descaso com aquela população daquela região. Embora seja um lugar lindo, que poderia ser um ponto turístico de grande valor, ele ainda vive no abandono”, acrescentou Brunet.
Ela disse ainda que o caminho para combater a violência sexual é ter uma legislação mais rígida. Sobre a violência contra as mulheres ela afirmou que a ideia deve ser a mesma.
“Eu acho que a mulher ela tem que ter mais informação. […] a gente precisa ter acesso a informação, a educação. Para elas se capacitarem para ter autonomia financeira, porque isso é muito importante. A autonomia financeira faz com que ela tenha uma liberdade, um passaporte para uma vida nova, mas elas não tem nenhum direito reconhecido, né? Elas não acreditam que tem direito, que pode buscar principalmente a justiça”, pontuou.
No seu discurso na mesa de debate no fórum ela contou um pouco mais do seu trabalho como ativista.
“E a responsabilidade social nossa é justamente minha, que decidi trabalhar com isso, que prefiro, que gosta de fazer isso. E me sinto muito confortável em falar com elas através da minha própria história de vulnerabilidade desde criança. De um abuso sexual por sua filha aos 11 anos de idade, que é um problema crônico no Brasil, que a gente tem que sanar. É da falta de oportunidade, das mulheres poderosas. Mas eu queria também elogiar o ministro de Gilmar. Eu fico muito feliz e muito honrada de participar com essas mulheres e principalmente ter quatro mulheres de homens e mulheres mesmo que raramente já se conseguem ter. Então, as mulheres precisam ser realmente é aplaudidas e ter esse lugar que elas merecem”, concluiu Brunet.
Sobre o evento
A programação prevê 71 painéis ao longo de três dias, com mais de 450 palestrantes e moderadores, representantes de 15 países e integrantes de 20 universidades estrangeiras. Dezenas de parlamentares, ministros de Estado e do Judiciário, governadores e ex-presidentes, dentre outras autoridades, participam do evento.
BNews em Lisboa
A jornalista Cláudia Cardozo, do BNews, está em Lisboa para trazer detalhes sobre os bastidores e os debates do Fórum de Lisboa, que começa neste domingo (31) na capital portuguesa. Realizado na FDUL, o encontro reunirá ministros, parlamentares, juristas e representantes do poder público em torno de discussões sobre os rumos das instituições brasileiras, além de questões do Direito e de garantias sociais.

























