Do Blog Manoel Medeiros
A operação Check-in, da Polícia Federal, realizada na manhã desta quarta-feira (2) no Recife, Cabo e Jaboatão dos Guararapes, teria como um dos principais alvos o ex-secretário de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife, João Guilherme de Godoy Ferraz, conhecido manda-chuva e articulador das administrações do PSB no Recife. Uma residência de alto padrão na Reserva do Paiva teria sido um dos endereços buscados.
Godoy Ferraz era o braço direito do ex-prefeito Geraldo Julio (PSB) e, mesmo sem cargo público, manteve influência significativa na gestão João Campos, inclusive com um primo nomeado como secretário-executivo pelo agora pré-candidato ao governo estadual.
A informação a respeito da operação foi revelada ao Blog por fonte em sigilo, que também adiantou que a investigação teria como foco a empresa Pernambuco Conservadora Eireli, com sede em Afogados, no Recife. Em 2020, a empresa faturou R$ 25,7 milhões junto à gestão municipal, dos quais R$ 2,0 milhões pagos pela Secretaria de Governo. Esse contrato é assinado pelo ex-secretário João Guilherme Ferraz. Na segunda gestão Geraldo Julio (2016/2020), a empresa faturou 99,6 milhões junto ao município do Recife. Já na gestão João Campos (2021/2025), esse valor passou para R$ 125,1 milhões.

A origem da operação policial de hoje foi outra investigação da PF, deflagrada há exato um ano e denominada Firenze. Naquela investigação, um grupo de empresas ligadas ao ex-deputado Eduardo Porto, incluindo a Pernambuco Conservadora, é investigado por supostos crimes de burla à licitação. Ainda não há notícia de conclusão das investigações.
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De acordo com informação da Polícia Federal, “as investigações, iniciadas em 2026 após apreensão de canhotos de cheques no âmbito da Operação Firenze, apontam para o pagamento de vantagem indevida a agente público da Prefeitura do Recife por parte de empresa contratada pelo município. Os desvios teriam ocorrido em contratos de terceirização de mão de obra, no exercício de 2020”. A multiplicação dos contratos e dos gastos com terceirização de mão de obra na gestão do PSB no Recife tem chamado atenção ano após ano.
João Guilherme de Godoy Ferraz é investigado também no âmbito da Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), trancada por decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes a pedido do advogado do diretório nacional do PSB. O inquérito seria o motivo, inclusive, do episódio do fura-fila, em dezembro de 2025.

O ex-secretário, que atualmente atua em escritório de advocacia com trânsito no Tribunal de Contas do Estado, seria um dos investigados por suposta articulação da contratação de empreiteiras sem licitação para realização de serviços de engenharia em mais de 600 equipamentos públicos do Recife. Seu primo, Osvaldo Hazin de Godoy, seria o ordenador de despesas de parte dos pagamentos (Secretaria de Saúde) ao grupo da Sinarco-Alca Engenharia. Por outra parte, ele teria relação de amizade muito próxima com o principal empresário beneficiado.
O ex-secretário também foi investigado na operação de compra de respiradores testados em porcos (Operação Apneia, também da Polícia Federal) na pandemia e outro primo, Luciano Cyreno Ferraz, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em suposto esquema de pagamento de propina do Gabinete de Projetos Especiais do governo Paulo Câmara (Operação Articulata), que também envolveria o empresário Sebastião Figueiroa e o ex-tesoureiro do PSB em Pernambuco Renato Xavier Thiebaut.

























