Nova delação de Vorcaro atinge em cheio o ‘coração’ da família Bolsonaro

Por Henrique Brinco
A nova versão da proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a incluir relatos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e supostos repasses milionários destinados à produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações da CNN, o banqueiro afirmou aos investigadores que o presidenciável teria solicitado patrocínio para o longa-metragem e feito cobranças relacionadas aos pagamentos. O empresário também detalhou transferências que somariam cerca de R$ 60 milhões para a produção da cinebiografia.
A nova proposta foi entregue à PF e à PGR na segunda-feira (1º), enquanto um complemento de documentos e informações foi protocolado na terça-feira (2). A expectativa entre investigadores é que o novo material seja analisado até o próximo dia 12 de junho.
Fontes com acesso ao conteúdo da colaboração afirmam que a nova versão é significativamente diferente da anterior, rejeitada formalmente pela Polícia Federal há cerca de duas semanas. Na ocasião, investigadores apontaram omissões e inconsistências nos anexos apresentados pelo ex-banqueiro.

O novo documento também amplia o número de personagens citados e aprofunda episódios antes mencionados apenas de forma superficial. A delação também detalharia relações de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes, membros da oposição e integrantes do governo do presidente Lula (PT).
Entre os nomes mencionados estariam ao menos um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças do Congresso Nacional e dois ministros do governo federal. A reformulação ocorreu após a saída do advogado José Luís Oliveira Lima da defesa de Vorcaro. O criminalista Sérgio Leonardo assumiu a condução do caso.
A estratégia anterior buscava evitar menções ao STF, numa tentativa de facilitar a homologação da delação, mas acabou gerando desgaste com o ministro André Mendonça, relator do caso na Corte. O magistrado estabeleceu prazo até 12 de junho para que o empresário permaneça em cela especial enquanto aguarda a análise da nova proposta de colaboração premiada por parte da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

























