Previdência de Paulista entra na mira da PF por aplicação milionária sob suspeita

Prefeitura informa que os aportes citados pela Polícia Federal ocorreram durante a gestão anterior

Elaine Guimaraes

Operação da PF na PreviPaulista (Divulgação/Policia Federal)

A gestão dos recursos da previdência dos servidores do município de Paulista – que garante os pagamentos a aposentados e pensionistas – está na mira da Polícia Federal. O Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista), na Região Metropolitana do Recife, é alvo de busca e apreensão da PF na manhã desta quarta-feira (10), com a Operação Take Over.

Conforme informações da prefeitura enviadas ao Diario, a atual gestora do PreviPaulista, Giovanna Maria Oliveira da Conceição Cordeiro, está prestando esclarecimentos às autoridades. Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados em Paulista, no Recife e Rio de Janeiro, em residências físicas e empresas.

As investigações apontam que mais de R$ 3 milhões do órgão teriam sido direcionados a investimento de alto risco, em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários. Além disso, segundo a PF, as diligências pretendem verificar se houve o recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do instituto.

Por nota, a atual gestão da cidade informa que os aportes citados pela Polícia Federal ocorreram durante a gestão anterior, tanto da prefeitura, sob responsabilidade do ex-prefeito Yves Ribeiro (PT), quanto da PreviPaulista, que foi comandada pelo ex-diretor-presidente Luiz Augusto da Silva Junior.

Através das redes sociais, Yves Ribeiro afirmou que não autorizou ou realizou aplicações de recurso da previdência do Regime Próprio de Previdência do Paulista. De acordo com o ex-prefeito, a PreviPaulista é uma entidade autônoma, com conselhos, administração e investimentos próprios. “Posso afirmar que jamais iria orientar ou aconselhar investimentos em bancos que não fossem os bancos do Brasil e Caixa Econômica Federal ou bancos privados, como o Bradesco e Itaú”, declarou.

Ribeiro finaliza a nota ressaltando que sempre pautou a vida com “trabalho e honestidade” e marcada por “zelo ao erário público”. O ex-prefeito salienta ainda que acompanhará atento os desdobramentos das investigações.

Agentes da PF cumprem 10 mandados de busca e apreensão (crédito: elaine.guimaraes)

 

O que diz a PreviPaulista

Mediante nota técnica, assinada pela atual gestora, o Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista) ressalta que, desde o início das investigações, disponibilizou todas as documentações e informações solicitadas pelos agentes federais, “em total colaboração com o trabalho investigativo”.

“O instituto registra que os fatos objeto da apuração se referem a ato praticado em fevereiro de 2024, no curso da gestão anterior, e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.”

O órgão também salienta que, antes da deflagração da Operação Take Over, já havia identificado, apurado e encaminhado às esferas de controle as irregularidades relacionadas ao investimento. Ainda de acordo com o comunicado, medidas foram adotadas em 2025, ano em que houve a divulgação do investimento de R$ 3 milhões junto ao Banco Master.

Entre as condutas adotadas, segundo o instituto, estão: diagnóstico imediato da carteira de investimentos e atenção específica às Letras Financeiras do Banco Master; monitoramento dos sucessivos rebaixamentos da classificação de risco do Banco Master pela agência Fitch Ratings; processo de contingenciamento debatido pelo atual Comitê de Investimentos; instauração de Sindicância Administrativa Investigativa, conduzida por comissão composta exclusivamente por servidores do quadro efetivo.

“A decisão de aplicar nas Letras Financeiras do Banco Master partiu de iniciativa unilateral do então Diretor-Presidente do Instituto, integrante da gestão anterior, sem deliberação colegiada prévia do Comitê de Investimentos, sem consulta à consultoria de investimentos e sem a elaboração do Atestado de Compatibilidade exigido pelas normas aplicáveis”.

Investimento no Banco Master

Em novembro de 2025, foi divulgado que o Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista) tinha R$ 3 milhões sob risco após investir no Banco Master, que também foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) por emissão fraudulenta de títulos. À época, a Prefeitura de Paulista ressaltou que a aplicação financeira foi realizada pela gestão anterior, do ex-prefeito Yves Ribeiro (PT).

“As auditorias iniciais apontam que o investimento foi realizado à revelia da governança interna, contrariando parecer da consultoria de investimentos contratada à época e sem a devida aprovação do Comitê de Investimentos”, disse trecho do comunicado da gestão municipal.

Na nota técnica, a PreviPaulista destaca que a exposição do órgão ao Banco Master representa uma parcela ínfima da carteira total de investimentos do Instituto, que é responsável por administrar um patrimônio superior a R$ 140 milhões.

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