Pilão Arcado convive com baixa cobertura na saúde básica, déficit de saneamento e registros de violência contra a mulher

Por Gabriel Filiph

No Sertão do São Francisco, uma das cidades mais ao extremo-norte do estado da Bahia, convive com desafios observados na maioria dos municípios da Bahia. Com 35,3 mil habitantes, Pilão Arcado tem problemas em áreas essenciais como saúde básica, saneamento e segurança pública.

Dados públicos recentes do Ministério da Saúde, do IBGE e da Secretaria da Segurança Pública da Bahia mostram que o município ainda tem parte da população fora da cobertura estimada da atenção primária, milhares de moradores sem banheiro ou sanitário e registros de violência contra a mulher.

Na saúde, dados da plataforma Primeira Infância em Dados, com base em informações do Ministério da Saúde, apontam que Pilão Arcado tinha 69,5% de cobertura da atenção primária à saúde. O indicador considera a população cadastrada em equipes de Saúde da Família e equipes de Atenção Primária financiadas pelo Ministério da Saúde, em relação à população estimada pelo IBGE, por meio do Censo 2022.

A atenção primária é a principal porta de entrada da população no SUS e envolve serviços como acompanhamento de famílias, consultas, vacinação, pré-natal, controle de doenças crônicas e ações preventivas. Na prática, o dado indica que uma parcela relevante dos moradores pode não estar plenamente coberta por equipes de saúde básica.

O cenário se torna mais sensível diante da extensão territorial do município. Segundo o IBGE, Pilão Arcado tinha 35.357 habitantes no Censo de 2022 e população estimada em 37.388 pessoas em 2025. O território municipal passa de 11,5 mil km², o que amplia o desafio de garantir acesso regular a serviços públicos, especialmente para moradores da zona rural.

Outro indicador que chama atenção é o de saneamento. De acordo com dados do Censo 2022 do IBGE, apenas 19% da população de Pilão Arcado afastava seus esgotos por meio de rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede. O levantamento aponta ainda que 17.843 habitantes, o equivalente a 50,6% da população, utilizavam fossa rudimentar ou buraco.

Ainda segundo o Censo 2022 do IBGE, 7.476 moradores de Pilão Arcado não tinham banheiro nem sanitário. Outro dado alarmante chama atenção: mais da metade da população, que corresponde a 17,8 mil pessoas, utilizam fossas rudimentares ou buracos para descartar os dejetos.

Na segurança pública, boletim da Secretaria da Segurança Pública da Bahia aponta que Pilão Arcado registrou um homicídio doloso entre janeiro e maio de 2026.

Os dados de violência contra a mulher também indicam um quadro de atenção. Segundo a SSP-BA, em 2025, Pilão Arcado contabilizou 18 casos de estupro de mulheres, além de 51 de lesão corporal dolosa, três tentativas de feminicídio, duas tentativas de homicídio.

Embora Pilão Arcado seja uma cidade de pequeno porte, os registros oficiais reforçam a necessidade de políticas permanentes de proteção, prevenção e atendimento às mulheres vítimas de violência.

Leosmir Gama foi eleito prefeito de Pilão Arcado em 2024 pelo PT, com 11.557 votos, o equivalente a 49,87% dos votos válidos. A cidade também deu ampla votação ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) em 2022. O atual chefe do Executivo baiano recebeu 78,08%dos votos (15.821 votos), ante 21,92% (4.442) de ACM Neto (União Brasil).

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