‘São quase 12 anos com essa ferida’, diz pai de Geovane durante julgamento de PMs

Sete policiais militares acusados da morte e esquartejamento do jovem são julgados no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador

Por Bruno Wendel

Caso Geovane: Juranddhy acompanha julgamento dos PMs 12 anos após o crime Crédito: Almiro Lopes/Arquivo Correio

Uma dor que parece não ter fim poderá começar a ser amenizada nesta semana no coração de seu Jurandhy Mascarenhas. “Já são quase 12 anos com essa ferida e espero que a Justiça seja feita”, declarou ele durante o julgamento dos policiais militares denunciados pela morte e pelo esquartejamento de seu filho, Geovane Mascarenhas de Santana. A sessão ocorre no Fórum Ruy Barbosa, no Campo da Pólvora, em Salvador.

“Pelas provas que constam no processo, será um desastre se eles não forem condenados. Enquanto não houver um ponto final, a gente vive nessa expectativa de que a Justiça seja feita”, afirmou Jurandhy. O caso veio à tona após reportagem exclusiva do CORREIO, que teve acesso, à época, ao vídeo que registrou o último momento em que Geovane foi visto com vida, durante uma abordagem policial.

Sete policiais militares são julgados pelos crimes relacionados à morte do jovem, ocorrida em agosto de 2014. Respondem ao processo o subtenente Cláudio Bonfim Borges, o sargento Daniel Pereira de Souza Santos, os soldados Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano, além do ex-soldado Jesimiel da Silva Resende. O soldado Jailson Gomes Oliveira também é réu, mas responde pelos mesmos crimes atribuídos aos demais acusados, com exceção da ocultação de cadáver.

Segundo denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Geovane foi sequestrado, assassinado e esquartejado por integrantes da Rondesp BTS. Os restos mortais da vítima foram encontrados em dois locais distintos de Salvador: parte em Campinas de Pirajá e parte no Parque São Bartolomeu.

Ao longo da tramitação do processo, foram mantidas as acusações de sequestro, homicídio qualificado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e roubo, já que a motocicleta e o celular de Geovane nunca foram localizados.

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