Ministro defende redução de jornada e chama diretora que criticou fim da escala 6×1 de “dondoca”

Luiz Marinho se manifestou após diretora da Fiesp declarar que fim da escala 6×1 vai impedir que mulheres frequentem salões de beleza aos sábados  |   Bnews - Divulgação Paulo Pinto/ Agência Brasil // Waldemir Barreto/Agência Senado

Por Matheus Simoni

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, saiu em defesa do fim da escala 6×1 e da equação envolvendo a produtividade e o descanso dos trabalhadores. Em entrevista nesta terça-feira (7), durante o programa De Cara Com O Líder da Baiana FM 89,3, o chefe da pasta afirmou que as elites brasileiras sempre estiveram no lado oposto do trabalhador quando a questão envolve melhoria na qualidade de vida.

“Não é novidade a resistência de muitos setores empresariais a esse comportamento que vem sendo adotado em muitos países que passam por evolução de conquista de trabalhadoras e trabalhadores. Se você for olhar na história, quando o Brasil, acaba com a escravidão, a elite também reagiu dessa forma, falando que iria prejudicar a economia. Essa luta de classes é histórica em vários momentos. Quando se criou a CLT foi a mesma coisa, o direito de férias também foi a mesma coisa”, disse Marinho.

O ministro relacionou ainda críticas feitas durante o período da escravidão no país com as falas que estão acontecendo nos dias atuais. “Em todo momento você acaba enfrentando isso. Tudo sempre era uma gritaria. Em 1988, quando a constituinte reduziu a jornada de trabalho, a pauta era 40h semanais. Mas ao reduzir para 44h, a elite empresarial também dizia que o Brasil não estava preparado para essa redução. E o que aconteceu no Brasil e no mundo sempre agregou fator positivo ao mercado de trabalho”, apontou.

Você tem várias escalas de jornadas e tem segmento que tem três folgas na semana. Tem várias formas de organizar. Mas essa se revelou uma necessidade. A escala 6×1 elevou um processo de adoecimento na jornada de trabalho. Temos estudos que falam que você reduzindo a escala, você melhora as condições de trabalho, de saúde e também da produtividade”, defendeu o chefe da pasta.

Nos últimos dias, repercutiu no noticiário uma fala da diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, que criticou o fim da escala 6×1, afirmando que isso impedirá que mulheres frequentem os salões de beleza aos sábados. A declaração foi feita durante sessão de debate sobre a proposta no Senado Federal. Questionado, o ministro tratou de rebater o posicionamento chamando-a de “dondoca”.

Para Luiz Marinho, a declaração também remete ao período da escravidão.

“É lamentável. A Fiesp é uma instituição respeitada. Colocar uma senhora como diretora jurídica para fazer uma exposição dessa, que volta para a mentalidade da década de 1930, é lamentável. Ela só enxerga ela própria no mundo do trabalho e os outros são escravizados, tendo que atender ela na hora que ela quiser. É um direito dessas pessoas prestadoras de serviço”, pontuou o ministro.

Mas quero tranquilizar a dra., porque o que se pensa no cenário das trabalhadoras que atuam na indústria da beleza, pedicure e manicure, é que, no sábado, a opção dessas trabalhadoras é trabalhar. Seguramente ela vai preferir a folga no domingo ou segunda, ou na quarta-feira. Se o salão for um bom empregador, vai saber fazer essa escala para dar oportunidade para essa manicure ver a assiduidade do filho na escola e administrar duas folgas para não prejudicar a dondoca diretora da Fiesp”, declarou.

“Isso não deveria ser uma preocupação dela. Como profissional gabaritada, ela deveria estar preocupada em como fazer um ambiente para melhorar a produtividade […]. O afastamento [por motivos de saúde] não é ruim somente para o SUS, mas é ruim também para a empresa porque diminui sua produtividade. Ela deveria estudar para entender antes de defender uma causa tão importante num Senado da República”, finalizou Marinho.

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