Por Magno Martins
Após quase quatro anos, a gestão de Raquel Lyra (PSD) mostra que é conjugada no futuro do pretérito. Em praticamente todas as áreas, as explicações do governo são de que faria e aconteceria, mas que não avançou por conta da oposição. Esse retrato ficou bem evidenciado em levantamento produzido pelo portal G1 sobre as promessas dos governadores.
Os dados mostram que Raquel tentará a reeleição este ano sem ter cumprido nem metade dos compromissos que assumiu em 2022. O mais emblemático é o da construção de creches. A autointitulada “Racreche” da campanha de quatro anos atrás prometeu 250 equipamentos, mas só entregou 11.
Na prática, vai enfrentar as urnas com 95% de sua principal meta não atingida. A implantação de cinco maternidades é outra promessa que ficou pelo caminho. Das cinco, ela só entregou uma – o Hospital da Mulher do Agreste –, que já tinha mais de 80% de conclusão e até a fachada pronta quando ela assumiu o governo, em 2023.
O ranking mostra Raquel em quinto lugar entre os governadores com mais promessas não cumpridas totalmente, índice que representa 40,5% do total. É o caso da ampliação do funcionamento das delegacias especializadas para o público feminino.
Em um estado governado por duas mulheres e que aparece entre os campeões de feminicídios, nem metade das unidades funciona no período noturno e nos fins de semana. Também deve ficar pelo caminho a meta de reduzir em 30% o número de mortes violentas intencionais em relação a 2022.
Nos dois primeiros anos da gestão de Raquel, o índice, inclusive, subiu. Somam-se, ainda, à lista de compromissos não cumpridos nos últimos três anos e meio a conclusão das obras do Canal do Fragoso, a criação de uma política estadual de apoio às pessoas com espectro autista, a implantação de distritos turísticos, a reforma do Hospital da Restauração – que segue com episódios de quedas de partes do teto, algo que Raquel prometeu acabar em 2022 – e a instituição de uma nova lei de incentivo à cultura, um paradoxo quando se considera que, em ranking recente, a governadora de Pernambuco apareceu como a gestora estadual que mais gastou com shows e cachês no País.
O retrato que o eleitor vai ver na campanha que se avizinha é o de uma gestão marcada por promessas, por tapumes e placas espalhados por todo o Estado, com pouco resultado entregue.
Foi o que se viu, inclusive, na última semana antes do defeso eleitoral, período que, em outras gestões, costumava ser marcado por entregas, mas que, com Raquel, foi repleto apenas de anúncios típicos de início de governo. Para quem esperava o tal “Estado de mudança” que o slogan dela pregava na propaganda, restou a frustração.
No fim das contas, o grande legado da governadora é ter ficado só na promessa.


























