Segundo o gerente de Política Industrial da Fiepe, Maurício Laranjeira, o cenário que se apresenta para o açúcar e das uvas é preocupante. Outros produtos, como a manga, por exemplo, entraram na lista de exceção criada pelo governo dos EUA e não sofrerão novas taxas. Por isso, de acordo com Laranjeira, o foco tem sido mitigar os efeitos da taxa nos que foram atingidos.
“Temos o cenário atual, que são os produtos que estão nas exceções e não sofrerão nada, e os que não estão nas isenções, que tem sido a nossa grande preocupação e o foco do nosso trabalho junto com a CNI e com os setores interessados para ver se conseguimos reverter essa situação”, afirmou.
De acordo com dados do Mdic, a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações do país que são destinadas ao mercado norte-americano. Em 2024, o Brasil exportou o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Se considerar 2025, a participação dos grupos afetados pela medida diminui para 15% de todas as vendas aos EUA — cerca de US$ 5,8 bilhões, ao todo.
Dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) indicam que US$ 126,1 milhões foram exportados para os EUA. Desse valor, 54% (cerca de US$ 68 milhões) vieram somente do setor do agronegócio. A Faepe destaca, no entanto, que os EUA são parceiros importantes para o estado, apesar de o setor do agronegócio exportar apenas 9% atualmente.
A Faepe também destaca que o impacto das tarifas pode variar de acordo com o produto. Com a definição da taxa de 25%, o açúcar, um dos mais importantes produtos da Zona da Mata pernambucana, recebeu uma tributação extra total de 37,5%. A isso soma-se o fato de que a chegada do produto no mercado norte-americano já enfrenta uma limitação por conta de um sistema de cotas de importação. Já as uvas de mesa, que é produzido principalmente na região do São Francisco, teriam sua tarifa definida de acordo com o volume que será exportado, reduzindo ainda mais o seu nível de competitividade frente a mercados como o Chile.
“O setor já mensurou todo o prejuízo dessas exportações no Nordeste do Brasil, que é quem performa, de fato, sobre as cotas de exportação. O nosso pleito é a retirada das tarifas em cima daquilo do que sempre foi isento até o ano passado”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Ainda de acordo com ele, a expectativa é de que haja uma solução urgente na cota do açúcar. “O Brasil, atualmente, exporta 2,7 milhões de toneladas pagando 100% de tarifa. Quem protege o mercado em demasia são os americanos e não os brasileiros. [As sobretaxas são] um número bastante estratosférico”, destacou.
Renato Cunha participará de encontros setoriais com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, na próxima semana. O objetivo é que o Sindaçúcar possa fornecer mais dados que busquem uma agenda de interlocução do MDIC com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
A Faepe alerta que os dados do primeiro semestre deste no estado mostram que, com a chegada da nova política tarifária no Brasil, já houve uma redução nas exportações para o mercado norte-americano em relação ao mesmo período do ano passado. O temor, inclusive, é de que o cenário deve se intensificar a partir de agora.
“Diante desse cenário, torna-se fundamental a intensificação das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, bem como a busca por novos mercados para nossos produtos, de forma a preservar a competitividade do setor, reduzir riscos e assegurar a manutenção da renda e dos empregos gerados pelo agronegócio”, declarou o presidente da Faepe, Pio Guerra.



























