
Cadê o filho de Amarildo? Quase dois anos depois de ser contratado (com alarde) como modelo, a carreira de Anderson Dias não decolou. O único trabalho que ele fez esse ano foi um evento pelos 450 anos do Rio, em março. Os convites foram ficando cada vez mais raros e o sonho de mudar de vida com a nova profissão parece distante. “A vida de modelo é complicada. Não tem pintado muita coisa. Achava que ia trabalhar bastante. Às vezes, acontecem uns testes, mas são sempre mais vagas para brancos do que para negros”, diz Anderson, de 23 anos.
Na agência carioca que o representa, os contatos do rapaz são um celular que ele não usa desde fevereiro e um telefone de uma tia, vizinha de onde Anderson mora na favela da Rocinha, com a mãe e mais cinco irmãos. Na época do desaparecimento do pai, ele chegou a ganhar uma bolsa de um curso de teatro, mas precisou abandonar para ajudar a família.
“Minha mãe recebe um pouco mais de R$ 600 de pensão e ganha mais uns trocados como empregada doméstica. O pouco que ganhei como modelo não comprei nada para mim. Usei para ajudar em casa. Para sobreviver, faço alguns bicos de pedreiro aqui na Rocinha”, conta o filho mais velho do pedreiro assassinado por policiais, segundo investigação da Polícia Civil.
Anderson Dias parou de estudar na sétima série e não tem planos de voltar para escola: “Vivemos com muita dificuldade. Preciso ajudar minha mãe a criar meus irmãos”.

Fonte: Extra


























