Madrasta de linchado desmaia em cemitério

Madrasta de linchado no Maranhão desmaia durante homenagem em cemitério: ‘Saber que se foi assim é o pior’

Luã Marinatto

Familiares e amigos de Cleidenilson Pereira da Silva, assassinado na última segunda-feira, aos 29 anos, reuniram-se neste domingo no Cemitério de Tibiri, em São Luís, capital do Maranhão, para uma cerimônia que marcou os sete dias da morte do rapaz. Durante as orações, muito emocionada, Maria José Gonçalves Pires, madrasta da vítima, chegou a desmaiar.

“Chore não, minha filha, a gente já passou por tanta dificuldade”, dizia, baixinho, pouco antes do desmaio da esposa, o lanterneiro Antonio Pereira da Silva, pai do rapaz.

Cleidenilson foi linchado no bairro de Jardim São Cristóvão, depois que, acompanhado de um adolescente de 17 anos, tentou assaltar um bar. Segundo a polícia, a morte foi causada, provavelmente, por um ferimento no peito causado por objeto perfurocortante – uma garrafa de cerveja, que já havia sido partida com um golpe na cabeça do rapaz. Ele chegou a ser amarrado a um poste ao longo das agressões.

Antonio Pereira da Silva, pai da vítima, e Maria José Gonçalves Pires, madrasta, no cemitério
Antonio Pereira da Silva, pai da vítima, e Maria José Gonçalves Pires, madrasta, no cemitério 

– Ele poderia ter sido atropelado, ter morrido de doença, qualquer coisa… Doeria menos. Saber que ele deve ter pedido socorro, do desespero que sentiu. Isso é o pior de tudo – desabafa Maria José, já recuperada, antes de acrescentar:

– Ontem (sábado) eu estava dobrando as roupas dele. Parecia que meu filho (Cleidenilson a via como mãe) estava ali, eu chegava a ouvir o celular tocando o reggae que ele tanto gostava. Acabei indo pra casa da minha irmã e só voltei de madrugada. Não aguentei.

Maria José Gonçalves Pires, madrasta da vítima
Maria José Gonçalves Pires, madrasta da vítima 

Cleidenilson está enterrado na mesma cova que um irmão de criação, filho de Maria José, morto aos 21 anos, baleado na porta de casa após tentar separar uma briga, em 2008. Durante as homenagens deste domingo, Antonio criticou a “violência que tomou conta do Maranhão e do país”:

– As pessoas estão cansadas. Nós estamos cansados. E os políticos não fazem nada – diz o lanterneiro, que pediu justiça pelo filho morto:

– Ele tinha os defeitos dele, mas ladrão eu sei que não era. Não sei o que aconteceu para fazer isso justamente naquele dia. De qualquer forma, não podia ter morrido assim.

Família de Cleidenilson Pereira da Silva fez uma cerimônia no cemitério de Tipiri, em São Luís do Maranhão

Fonte: Extra

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