‘Empresária’ do ramo de móveis fecha as portas e desaparece
Rodrigo Meneses
Onde está Paloma Ramosandrade Villanueva, 37 anos? Esta é a pergunta que dezenas de clientes que compraram móveis planejados na Espaccio Design de Interiores estão fazendo. Onze deles já procuraram a Delegacia do Consumidor (Decon) para denunciar a não entrega e montagem dos móveis, mas há notícia de outras nove vítimas. A polícia estima que o golpe gerou um prejuízo de pelo menos R$ 500 mil.
A loja física – no Open Center, Estrada do Coco, em Lauro de Freitas – fechou as portas no final de maio e ninguém encontra Paloma. Tão grave quanto o prejuízo financeiro é o transtorno vivido pelas vítimas. O casal Érico e Jucilene Machado, por exemplo, está sem cama para dormir após desembolsar R$ 23 mil para mobiliar o apartamento novo.
“Após muita pressão, montaram a cozinha e alguns ambientes, com muitas falhas, e deixaram a maioria pendente, como a cama e o armário de um quarto. Estamos dormindo no chão”, declara a pedagoga Jucilene. “Passamos por um estresse terrível. Já fomos na porta da casa dela (Paloma) para cobrar. Mas agora ela sumiu”, relata o comerciante Érico.
Segundo a titular da Decon, Carla Ramos, a Espaccio Design pertencia ao casal Paloma e Cristovam Ferreira dos Santos, 41. Em setembro de 2014, ele rompeu formalmente a sociedade – após o fim do relacionamento de 11 anos. Ela continuou tocando os negócios da empresa.
“Paloma começou a aplicar golpes. Não entregava o material nem montava os móveis. Mesmo com dificuldade de arcar com os contratos, seguiu captando clientes e fazendo novas vítimas”, explica a delegada.
Estelionato
Entre aqueles que procuraram a Decon, dois firmaram contrato quando Cristovam ainda era sócio da loja. Por isso, foi indiciado por estelionato, assim como Paloma. A delegada informa que ele está comparecendo quando intimado e se comprometeu a entregar os móveis da época em que ainda era sócio.
É o caso do professor Gustavo Franco, que investiu R$ 28 mil para mobiliar o apartamento, mas só recebeu parte do material. Em conversa com a equipe de reportagem, Cristovam se comprometeu com a montagem, mas disse que também é vítima, pois Paloma lhe deve R$ 25 mil.
Carla Ramos relata que Paloma foi à delegacia no dia 15 de abril, para falar das dificuldades em honrar os compromissos e pediu novo prazo aos clientes. “Ela contou uma história comovente sobre os problemas, mas desapareceu depois”, lembra.
A delegada soube que Paloma ainda usou dados de clientes para fazer novos financiamentos, golpe descoberto quando ela parou de pagar e o banco cobrou a eles.
Fonte: A Tarde


























