Youssef diz que repassou propina para a campanha de Negromonte Júnior em 2010
Publicado em 12/09/2015
Relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) implica o deputado Mário Negromonte Júnior (PP) nas investigações da Operação Lava Jato, de acordo com informações do colunista Jairo Costa Júnior, do jornal Correio. O documento, assinado pelo delegado da PF Josélio Azevedo de Souza, reproduz trecho de delação premiada em que o doleiro Alberto Youssef detalha repasses de propina para a campanha do parlamentar em 2010, quando ele conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Negromonte Junior durante visita ao Hospital Regional em Juazeiro ao lado de prováveis futuros opositores do prefeito Isaac Carvalho
Segundo o jornal, Youssef afirmou que os R$ 85 mil doados a Negromonte Júnior pela Jaraguá Equipamentos, uma das empresas investigadas pelos desvios nas Petrobras, foram resultado de um “acerto” com o pai do deputado, o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte, conselheiro da Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e também alvo da Lava Jato. O doleiro disse à PF que viabilizou doações de campanha para Negromonte Júnior através de repasses feito ao Diretório Estadual do PP.
De acordo com a PF, a delação de Alberto Youssef respinga ainda sobre a filha de Mário Negromonte. O doleiro disse aos investigadores da Lava Jato que pagou com recursos desviados do esquema da Petrobras os móveis para o apartamento alugado por Daniela Negromonte no Itaim Bibi, bairro de classe média alta em São Paulo. Segundo Youssef, o mimo foi bancado a pedido de Negromonte.
Ainda de acordo com o colunista, os indícios apontados pela PF no relatório de 220 páginas levaram o delegado Josélio Azevedo a pedir autorização ao Supremo para interrogar filhos do ex-ministro. Em declarações à imprensa na sexta-feira (11), o deputado Mário Negromonte Júnior afirmou que seu pai nunca lhe procurou para discutir nomes de empresas que financiaram sua campanha e que as doações foram articuladas pela cúpula do PP.