Antonio Campos divulga “Carta aberta” de apoio às oposições a Paulo Câmara

O advogado Antonio Campos, pré-candidato a senador pelo “Podemos” e irmão do ex-governador Eduardo Campos, divulgou nesta segunda-feira (11) uma “carta aberta” de apoio à frente das oposições, que fez um ato público na data de hoje, no Paço Alfândega, com a presença de cerca de duas mil pessoas, para apresentar seus líderes à população de Pernambuco.

Ei-la:

I- Com diálogo e compromisso com Pernambuco e o Brasil construiremos um novo rumo para vencer a crise.

O poder do diálogo e de construir pontes para o futuro, a coragem de agir em momentos difíceis e de se construir convergências, quando a causa do Brasil e de Pernambuco nos chama é o que nos reúne no Movimento Pernambuco Pode Mudar.

Temos diferenças, mas podemos construir convergências para tirar Pernambuco da paralisia que se encontra.

II – Um caminho com confiança e coragem para mudar e inovar. O papel do centro democrático.

Tem pré-candidato que faz o discurso da lei e da ordem e que policial bom é o que mata. Quem segura a lei e a ordem legítimas é a democracia, a Constituição Federal e não o contrário, a falta dela. Policial bom é o que preserva e salva vidas. O Estado do século XXI é o estado social que previne as causas da violência e de outros males.

Os extremismos ameaçam a democracia. Tem pré-candidato que faz o discurso do combate às desigualdades sociais e se acha dono do povo livre do Brasil. Contudo, embora tenha conseguido avanços sociais, cometeu erros graves, que com o tempo levou o Brasil a perder 15 milhões de empregos e levou o país a uma grave crise, que aprofundou a desigualdade.

Parece que são candidatos a presidente que se auto-alimentam e que um é sparing do outro. Essa polarização não interessa ao Brasil, pelo que, mais do que nunca, é preciso fortalecer o centro democrático. O Brasil precisa tomar em 2018 uma importante decisão para o seu futuro: optar por uma solução de extremo ou avançar com o centro democrático e gerar um novo e melhor país.

Precisamos preservar a democracia e aprofundá-la reduzindo as desigualdades sociais. Esses direitos e bandeiras são do povo brasileiro e precisam ser carregadas por mãos limpas e confiáveis para colocar o Brasil no rumo certo. O centro democrático tem um relevante papel nesse caminho, gerando um novo clima de confiança e aproximando a verdadeira política do povo brasileiro.

Em sua recente visita ao Brasil, o sociólogo catalão Manuel Castells, afirma: “Sopram ventos malignos no planeta azul”. Em seu novo livro “Ruptura: a crise da democracia liberal”, ainda não publicado no Brasil, tenta explicar a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, o resultado do Brexit no Reino Unido, a desconfiguração partidária da França, que ameaçou eleger a figura da extrema direita Marine Le Pen e deu a vitória a Emmanuel Macron, “o enterrador de partidos”. Essas rupturas do modelo de democracia liberal têm as mesmas motivações econômicas e ideológicas e merecem ser estudadas e talvez expliquem o fenômeno “Bolsonaro”, no Brasil.

III – Uma nova agenda de desenvolvimento sustentável para uma nova economia para Pernambuco, no pós-Eduardo Campos

O que nos une no ato “Pernambuco Quer Mudar” é o poder do diálogo, matriz da verdadeira política, criando convergências, acima das diferenças, fazendo autocríticas para cada dia melhorar, pois o interesse nacional e de Pernambuco está acima dos interesses pessoais e mesmo partidários. Um encontro político que vai fazer um Pernambuco mais forte, não um desencontro como um tecnocrata travestido de político tenta ironizar. Pernambuco pode muito mais. As bandeiras de 1817 continuam atuais e Pernambuco não faltará ao Brasil nesse momento desafiador com a sua importante contribuição.

Aqui, nas batalhas dos Guararapes, o Brasil tirou a sua carteira de identidade. Precisamos recriar o cenário político do pós-Eduardo Campos, esse grande líder que soube unir os pernambucanos, que respeitamos e nos inspira a fazer a verdadeira política. Agora, não é momento de discutir ou entrar em rinhas políticas com pseudo continuadores de Eduardo Campos, que se encastelaram no encantamento do poder. É o momento de criar e aglutinar as forças que farão um Pernambuco com mais desenvolvimento e paz social, criando um novo ambiente de confiança com o povo.

Pernambuco vive atualmente uma grande crise de liderança. Essa crise de liderança gerou um governo fraco, mal avaliado, que tenta colocar na União a incompetência de sua gestão estadual para justificar o seu fraco desempenho. O pernambucano não aguenta mais conviver com mais de 5 mil assassinatos por ano, afora outros tipos de violência.

Vive um quadro preocupante de equilíbrio fiscal, que fez com que sua nota fosse rebaixada para nível “C”, perdendo o direito de aval da União para novos empréstimos. O Estado está paralisado, estagnado. Estamos na 10ª posição no PIB nacional e com taxa de desemprego recorde de 17,9%, segundo dados do IBGE. Mais de 1.500 obras inacabadas, segundo dados do TCE. Dentre elas, importantes obras hídricas e de infraestrutura. Em março de 2018, o Brasil sediará o 8º Fórum Mundial da Água.

O relatório da Comissão Especial de Segurança Pública da OAB de Pernambuco, de setembro de 2017, fez um importante diagnóstico com sugestões ao Poder Executivo e ao Poder Judiciário sobre a crise da Segurança Pública no nosso estado, que deve ser observado. Destaco, entre outros pontos, a revisão do atual Plano Estadual de Segurança Pública, “Pacto pela Vida”, com amplo debate com a sociedade de maneira a atualizá-lo e aperfeiçoá-lo, que ainda não houve.

O exemplo de Medellín, capital da província de Antioquia, na Colômbia, que já foi considerada a cidade mais violenta do mundo é um paradigma. Ocupou-se os espaços violentos do meio urbano, erradicando focos de narcotráfico por meio de ações coordenadas da polícia, seguidas de obras sociais para a comunidade, numa parceria entre a prefeitura e o setor privado. É emblemática a utilização de bibliotecas parques. Tenho convicção de que saberemos construir uma nova cena para o desenvolvimento sustentável de nosso Estado, paralisado, assombrado com a violência.

Podemos ter um Estado mais eficiente, com mais inclusão social, mobilidade, desenvolvimento sustentável de uma economia de baixo carbono e oportunidade para todos os pernambucanos. Nesse diálogo entre os partidos e lideranças, no campo das oposições no Estado, que viram Eduardo como um líder que agregava e mostrava caminhos, mas que são forçados a ver hoje uma situação diferente no cenário político de um governo que não dialoga com as forças vivas da sociedade civil, numa postura autoritária, centralizadora, nos momentos de negociação de conflitos.

Governa com um “Conselho Político” de novos coroneis tecnocratas travestidos de políticos, marcados pela truculência com quem discorda.

Podemos sim, criar um novo tempo para o nosso Estado.

IV- É hora de reflexão, união e de trabalho por Pernambuco. É preciso saber ouvir o povo pernambucano para que seja possível criar os caminhos que poderão tirar Pernambuco dessa grave crise. Arraes dizia que nas crises fosse para junto do povo que ele nos ajudaria a mostrar o caminho. Não devemos perder a oportunidade de fazer melhor e diferente. Quando o medo de ousar é maior que a coragem de realizar, fechamos a janela de uma nova oportunidade surgir.

Precisamos defender a democracia, o Estado de direito, criar um projeto de nação, reformatar um novo projeto para Pernambuco que vive uma nova era, que inclua os mais pobres, proteger o Brasil de projetos salvacionistas e autoritários, virar a página do livro da história, sem retrocessos, gerando algo novo e inovador que o Brasil e Pernambuco tanto clamam e que as nossas consciências pedem a nos deparar com o complexo momento da vida nacional e do mundo contemporâneo. Construir uma frente política que nos leve a vitória e a servir os pernambucanos.

Nós do “Podemos” iremos sugerir uma agenda prioritária e programática para Pernambuco, em documento, para ajudar a construir essa frente.

A mensagem do “Podemos” é a do diálogo de criar convergências para construir novos caminhos, pois Pernambuco pode ser mais forte e juntos podemos fazer muito mais. Sim, nós Podemos fazer um Pernambuco mais forte!

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