Arqueólogos encontram pira funerária pré-histórica na Inglaterra
Estrutura de cremação descoberta por arqueólogos em Suffolk, na Inglaterra, revela raro ritual funerário pré-histórico da região

Arqueólogos que atuam nas escavações de Sizewell C, em Suffolk, na Inglaterra, identificaram os vestígios de uma antiga pira funerária em Goose Hill, revelando um raro exemplo preservado de ritual de cremação pré-histórico. Descobertas desse tipo são consideradas incomuns, já que piras funerárias eram construídas acima do solo e, ao longo dos séculos, costumavam desaparecer devido à agricultura, à erosão e a intervenções posteriores na paisagem.
A estrutura foi encontrada em uma encosta com vista para a atual linha costeira. Segundo os pesquisadores, a pira tinha aproximadamente 3 metros de comprimento por 2 metros de largura. A madeira foi organizada em um padrão de treliça empilhada, formando uma plataforma com cerca de 1,5 metro de altura. No interior, gravetos e arbustos de urze eram posicionados para alimentar o fogo e garantir a cremação, conforme descrito em comunicado do Oxford Cotswold Archaeology.
Antes do ritual, o corpo era colocado sobre essa estrutura de madeira. Os arqueólogos também encontraram indícios de postes verticais distribuídos ao redor das bordas, que provavelmente serviam para sustentar a construção durante a cerimônia.
Hoje, o que permanece é apenas parte da estrutura original. Durante a escavação, foi identificada uma área retangular de solo escurecido, rica em carvão e com pequenos fragmentos de ossos queimados. Algumas porções arenosas sob a pira apresentavam coloração rosada, resultado da intensa exposição ao calor. Além disso, foram registrados até seis buracos de postes ligados à estrutura.
Apesar de o local ter sofrido alterações durante a Segunda Guerra Mundial, quando a área foi utilizada como campo de treinamento militar, a pira funerária permaneceu relativamente bem preservada, mantendo detalhes importantes sobre sua construção e uso.
Os especialistas acreditam que sua conservação foi possível porque um monte cobria originalmente a área. A pira estava descentralizada dentro de uma vala circular, o que sugere que esse monte ajudou a selar e proteger os restos mortais por um longo período. Posteriormente, o próprio monte teria sido removido pela atividade agrícola.
Próximas investigações
A relação entre a pira e o fosso circular que a circunda ainda está sendo investigada. Embora fossos desse tipo geralmente estejam associados a montes funerários, nenhum sepultamento foi encontrado no centro da estrutura. Além disso, um fosso mais recente atravessou o meio do monumento, o que pode ter destruído vestígios anteriores.
A datação exata da pira ainda não foi definida, mas os arqueólogos consideram mais provável que ela pertença à pré-história do que ao período anglo-saxão. As evidências atuais apontam para a Idade do Bronze ou a Idade do Ferro, conforme repercute o Archaeology News.
O fosso circular, por exemplo, deve ser anterior à Idade do Ferro, já que uma cova desse período posterior o atravessou quando ele já estava preenchido. Também foi encontrado no local um machado de sílex polido do Neolítico Inicial, recuperado em um fosso posterior. Segundo os pesquisadores, esse objeto já era antigo quando foi enterrado ali.
A pequena quantidade de ossos preservados dentro da pira sugere que a maior parte dos restos cremados foi retirada após a cerimônia, provavelmente colocada em uma urna e enterrada em outro lugar. Essa prática era comum em rituais funerários pré-históricos de cremação.
Até agora, Goose Hill apresentou poucos indícios de sepultamentos. Os arqueólogos já haviam identificado anteriormente uma cremação confirmada da Idade do Bronze, depositada em uma urna com colarinho e datada entre 1950 e 1600 a.C. Outra possível cremação em urna também foi registrada no sítio.
Agora, especialistas irão analisar os fragmentos ósseos encontrados para confirmar se pertencem a um ser humano. O estudo poderá revelar informações como idade, sexo e possíveis doenças ou lesões visíveis nos restos mortais.
Além disso, os pesquisadores planejam examinar carvão vegetal, material vegetal queimado e possíveis objetos depositados na pira durante o funeral. Amostras de ossos e carvão também poderão passar por datação por radiocar carbono.
Para os arqueólogos, a pira funerária de Goose Hill representa uma oportunidade rara de investigar diretamente uma cerimônia de cremação realizada há milhares de anos, preservando evidências do próprio local onde o ritual aconteceu.

























