Beldades do jornalismo da Globo não ligam para o título de musas

Cristiane Dias, Glenda Koslowski, Carol Barcellos e Fernanda Gentil falam sobre expectativa para a Olimpíada
Cristiane Dias, Glenda Koslowski, Carol Barcellos e Fernanda Gentil falam sobre expectativa para a Olimpíada Foto: Rafael Moraes
Flávia Muniz

Como diria Jorge Ben Jor, “eu vou torcer pela paz, pela alegria, pelo amor, pelas moças bonitas”. É nesse embalo otimista que o quarteto de ouro da transmissão dos Jogos Olímpicos da Globo, formado por Fernanda Gentil, Glenda Kozlowski, Cristiane Dias e Carol Barcellos, vai encarar um dos maiores desafios de suas carreiras: a cobertura, in loco, do evento esportivo mais importante do mundo.

Beleza, neste caso, é mero detalhe. Na hora do “valendo”, o que vai contar mesmo é a experiência e o talento para sacar a informação e pontuar com a notícia fresquinha. O título de musas, elas não rejeitam e são unânimes em afirmar “que é melhor do que serem chamadas de barangas”.

— É lógico que não vou reclamar. Elogio é legal, mas morre ali. Tenho que entrar ao vivo, não posso gaguejar, não posso esquecer… E a musa não me ajuda a fazer isso. Quem faz é a jornalista. Agradeço o carinho do público, mas penso é na boa cobertura — deixa claro Fernanda Gentil, âncora do “Globo esporte”, que, a partir de amanhã, passa a entrar ao vivo durante a programação, do “Bom dia Brasil” até o “Jornal hoje”, direto do Parque Olímpico, na Barra.

Fernanda Gentil diz que o corpo reage ao nervosismo que antecede à Olimpíada
Fernanda Gentil diz que o corpo reage ao nervosismo que antecede à Olimpíada Foto: Rafael Moraes

Além dos belos traços e da boa forma, elas têm em comum a ansiedade.

— Eu sou do tipo que tem herpes (risos). Fico nervosa, me preparo, estudo. Minha relação com o “ao vivo” é de adrenalina, um tesão absurdo, quase uma droga. Gosto de fazer TV de um jeito bem natural. Não vou para o ar vestindo uma personagem — reforça Fernanda.

Cristiane Dias é outra que anda à flor da pele com a função de atualizar o espectador sobre as competições, no “Jornal da Globo”:

— Tem aquele friozinho na barriga e, ao mesmo tempo, medo e excitação de estar cobrindo o maior evento do esporte mundial, na nossa casa. É felicidade, receio e a vontade de começar logo. No “ao vivo”, a gente sabe que não pode desmontar, tem que ter jogo de cintura, saber se zoar — frisa Cris.

Desencanada, Carol Barcellos não somatiza no corpo a expectativa. Está habituada a explorar seus limites:

— Meu horário vai ser o da madrugada (ela vai apresentar diariamente o “Balada olímpica” com Flávio Canto, substituindo o “Programa do Jô”). É bem diferente, mas eu tenho facilidade para me adaptar, já trabalhei virada algumas vezes. É uma oportunidade incrível, fora que é um baita desafio passar duas horas no ar — destaca.

Carol Barcellos está acostumada a explorar seus limites como no quadro “Planeta Extremo”
Carol Barcellos está acostumada a explorar seus limites como no quadro “Planeta Extremo” Foto: Rafael Moraes

A mais experiente, já tendo participado da cobertura dos Jogos de Atenas (2004), e de Pequim (2008), Glenda Kozlowski estreia como narradora. É ela quem vai apresentar a ginástica artística.

— Minha adrenalina é maior aí, porque é outra pegada. Estou estudando pra caramba. Passei dois dias em São Paulo com a delegação brasileira para entrar nesse mundo. Mais do que narrar, vou contar a história das pessoas. Também estou muito feliz de vivenciar um evento desse porte, com essa atmosfera, em casa, falando a minha língua.

Às vésperas da Rio-2016, elas entraram no clima das competições para a Canal Extra, nas cores dos anéis olímpicos, bem mulherzinhas (de vestido, salto alto, maquiagem), estilo que não costumam explorar no dia a dia por conta da praticidade que a profissão exige.

Mas o papo com essas jornalistas que despontaram numa área dominada por homens vai além das regras do jogo. De cara, elas afastam qualquer possibilidade de disputa nos bastidores.

— Entre dizer que é tudo falsidade ou reconhecer que a gente se dá bem, é mais fácil falar mal, né? — avalia Fernanda.

Acostumada a apresentar o Globo Esporte, Cristiane Dias diz que tem frio na barriga antes dos Jogos
Acostumada a apresentar o Globo Esporte, Cristiane Dias diz que tem frio na barriga antes dos Jogos Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo

Cristiane faz coro:

— Muita gente pode achar que rola competição, que uma puxa o tapete da outra, mas é a maior farra. A gente se ajuda e se diverte.

O assédio é o lado B de se destacarem como especialistas esportivas e ainda carregarem o DNA da beleza. Cristiane admite que é comum ouvir gracinhas. Mas sua tática infalível afasta os mais atrevidos:

— Eu me faço de louca até onde dá. Antes, era pior. Hoje, ainda rola, mas sei me defender. Sempre tem um que manda uma letrinha.

Carol reage quando a cantada é mais agressiva:

— A gente não é obrigada a aceitar o cara falando uma besteira. Se me sinto ofendida, eu respondo mesmo.

No início da carreira (1992), até em vestiário masculino Glenda entrou em nome da boa apuração.

— Era só homem cobrindo futebol, mas eu ia ficar lá fora esperando? Claro que não. Entrava mesmo. Na época, eu tinha 17 anos, vivia na praia, de biquíni, era surfista (ela foi tetracampeã mundial de bodyboard), não estava nem aí. Tinha jogador mais ousado, mas eu nem ligava. Sou muito brincalhona, mas nunca abri espaço para esse tipo de coisa — lembra.

Glenda Koslowski já cobriu duas Olimpíadas
Glenda Koslowski já cobriu duas Olimpíadas Foto: Rafael Moraes

Na categoria vaidade, a ficha de Glenda só caiu aos 40 anos (ela tem 42). Mas sem crise, que fique claro:

— Fiquei mais feminina. Comecei a usar vestido, me arrumar, fazer sobrancelha, unha… Eu não voltaria no tempo. Não quero ter cara de 20 anos. Vivi todas as minhas fases muito bem.

Depois da gravidez (de Gabriel, de 11 meses) e da separação (do empresário Matheus Braga), Fernanda emagreceu três quilos e tem gostado do corpo enxuto.

— Nunca fui ligada nisso, era até motivo de estresse com a minha mãe. Mas Deus me fez trabalhar numa área em que tenho que me maquiar e fazer escova todo dia. Imagina a alegria! (risos). Nunca foi minha prioridade, mas as roupas ficam melhores e isso eu quero manter, sem neurose. Nos fins de semana, eu vivo. Tomo meu chopinho, vou ao pagode…

Morando há um ano longe do marido (o jornalista Bruno Côrtes, que está em Nova York), Carol garante que a última coisa que passa na cabeça, agora, é namorar:

— Fico na vontade, né? Não dá nem para pensar nisso com tanto trabalho.

Depois de tantas idas e vindas, Cristiane e o ator Thiago Rodrigues resolveram dividir o mesmo teto:

— Moramos muito tempo cada um na sua casa. Como a gente ficava separado de vez em quando, era mais fácil. Mas, agora, que resolvemos juntar de vez, a rotina do meu filho (Gabriel , de 7 anos) fica melhor — diz.

Solteira, Fernanda sinaliza o que um homem tem que ter para conquistá-la:

— Precisa ser uma pessoa leve. Não na balança, mas de espírito. Não tem que ser sarado, mas gostar de pagodinho e Fábio Jr. (risos).

Brincadeiras à parte, “viver” o luto da separação foi fundamental para ela:

— Ficamos um mês separados, sem ninguém saber. Foi um momento de reflexão. A gente foi humilde e corajoso o suficiente de entender que não éramos mais felizes. E a gente merece ser. Somos novos, fazemos o bem… Se não estava sendo tão bom, não tinha por que não tomar essa decisão.

Jornalistas se divertem em ensiao esportivo
Jornalistas se divertem em ensiao esportivo Foto: Rafael Moraes

 

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