O Fole Roncou Auto…
Os festejos juninos não pertencem a mim, a igreja, ao Prefeito atual ao ex-gestor, muito pelo contrário a festividade de São João pertence a seu povo sofrido, pertence ao sertanejo castigado pela seca que reverencia seu padroeiro dançando forró e clamando por chuva; Pertence ao cabelereiro que se programou para seu melhor momento de trabalho em todo o ano; Pertence ao proprietário do Hotel e pousada que já tem quase sua capacidade de ocupação preenchida; Pertence ao restaurante que espera dinamizar suas vendas neste processo festivo; Pertence ao pequeno produtor que esperava a festa para fornecer seu bode e carneiro e acrescer renda a sua vida; Pertence ao vendedor de cachorro quente, de crepes, de maçãs do amor, de espetinhos; Pertence aos barraqueiros, aos que fazem quentão, aos que alugaram as casas, aos que dinamizam a economia.

O São João pertence às bandas de pífano, aos tocadores das alvoradas e passeatas, às entregas de ramo, ao desfile dos vaqueiros, enfim, o São João não é deste ou daquele político, ele faz parte de nossa vida, ele é dos Autos, Boscos, Barris, Mocós , Josés, Pequenas, Zecalu, Pedro, Marias, Veinhos, Nilton, Basilio, Gildemar, Max, Rennan, João, Vitor, ou seja, ele não pertence a ninguém e ao mesmo tempo pertence a todos que acreditam na sua força cultural, econômica e social, mas primordialmente, que acredita na força de sua terra, na essência da sua fé e na beleza de seu legado…
O são João de Uauá é de quem acredita em nossas crenças nas necessidades humanas, afinal, um povo que não canta, não dança, não vibra, esse povo não vive… e ‘a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte’… E que o fole ronque muito mais Auto…