Delegado aponta que motoristas de aplicativo se envolvem com facções criminosas no sul da Bahia

Por Bernardo Rego
A Operação Libertatis foi deflagrada pela Polícia Civil, na última terça-feira (2), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por envolvimento em crimes de sequestro, tortura, cárcere privado, extorsão, homicídios e ocultação de cadáver em Eunápolis, no extremo sul da Bahia.
De acordo com o delegado Manoel Vieira da Silva Neto, delegado titular da Delegacia Territorial de Eunápolis (DT/Eunápolis), o operação foi desencadeada após o resgate de um motorista por aplicativo, de 33 anos, vítima de sequestro, tortura, extorsão e cárcere privado. Ele foi levado para uma área de mata. Segundo Manoel Neto, o crime aconteceu no dia 6 de março e o rapaz passou a noite sob tortura. Ainda de acordo com o delegado, há quatro pessoas foragidas.
Em entrevista ao Correio, o coordenador regional da 23ª Coorpin, Moabe Lima, contou que, apesar de haver muitos trablhadores atuando no ramo de aplicativo, alguns motoristas são cooptados por facções criminosas.
“Vou te dar um exemplo: tem estelionatário praticando golpes que está desviando a nossa possibilidade de localizar os IPs das máquinas que eles utilizam. Eles colocam o equipamento no carro de um motorista de app e pagam o motorista. O motorista continua fazendo as corridas dele, mas com o equipamento no carro”, detalho o delegado.
Ainda conforme o delegado, alguns motoristas acabam se envolvendo em atividades ligadas a grupos criminosos e, quando essa ligação se torna conhecida por facções rivais, podem passar a ser alvo de violência
“Aqui já teve facção que pagou um motorista de aplicativo para transportar restos mortais de uma vítima que foi decapitada. Em outro caso, no dia do ataque ao diretor do presídio, um motorista foi pago para levar um dos envolvidos para fora da cidade. Os caras sabem o que estão fazendo. O problema é que muitos enxergam isso como um dinheiro fácil e acreditam que não vai acontecer nada. Mas acontece”, acrescentou o delegado.
Sobre a Operação Libertatis
Os mandados foram cumpridos nos bairros Pequi, Moisés Reis, Parque da Renovação, Juca Rosa, Centauro e Antares. Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores e outros materiais de interesse investigativo, que serão submetidos à perícia. Também foram cumpridos dois mandados de prisão no Conjunto Penal de Eunápolis contra custodiados apontados como participantes dos crimes apurados.
A ação foi realizada por equipes da Delegacia Territorial de Eunápolis, com apoio da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (COORPIN/Eunápolis), da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), do Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM) e do Grupo de Apoio Tático e Técnico à Investigação (GATTI/Descobrimento). A operação contou ainda com a atuação integrada da Polícia Militar, por meio da Rondesp


























