Depois de dois anos, Ministério Público declara Lula inocente no caso mensalão
Depois de dois anos, Ministério Público declara Lula inocente no caso mensalão
Pio Redondo
A Procuradoria Geral da República no Distrito Federal (PGR), que investiga o caso do chamado ‘mensalão’, pediu arquivamento de um inquérito que apurava a suposta participação do ex-presidente Lula em negociação sobre o repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT.
O arquivamento vale para o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, também investigado no inquérito, agora encerrado pelo MPF.
A denúncia original não comprovada partiu do publicitário Marcos Valério, preso desde novembro de 2013, por ter sido considerado o maior operador do chamado ‘mensalão’, esquema que o PT nega ter existido.
Segundo o MPF, não há provas da delação de Valério, que tinha como objetivo negociar a redução de sua pena. O publict[ario afirmou que a transferência do dinheiro fora acertada em reunião do ex-presidente, e seu então ministro da Fazenda, dentro do próprio Palácio do Planalto, para pagar despesas da campanha política de 2001.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, que revelou a decisão da Procuradoria, “Valério disse que Lula tinha conhecimento do mensalão e que o suposto empréstimo da Brasil Telecom serviria para quitar dívidas de campanhas do PT de 2002 e 2004. De acordo com o publicitário, à época, a companhia portuguesa pretendia adquirir o controle da brasileira Telemig Celular. A Polícia Federal comprovou que o publicitário viajou a Portugal, onde se reuniu com Horta. Do mesmo modo, constatou que Lula esteve com Horta, na presença de Palocci e do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), mas não foi possível saber o teor do que foi tratado”.
Em seu despacho, o MPF afirma que a Polícia Federal não conseguiu rastrear os supostos desembolsos da Portugal Telecom, “seja porque algumas das contas não foram localizadas, seja porque não foram identificadas movimentações financeiras capazes de indicar pagamentos aos ora investigados”.
Com isso, o pedido de arquivamento declara que “as investigações não conseguiram comprovar o desembolso de valores da empresa em favor do Partido dos Trabalhadores”.
Como a denúncia de mostrou sem fundamento, o Ministério Público não investiga mais nenhum crime correlato que associe Lula ao ‘mensalão’.
Na época da acusação de Valério, os grandes veículos de comunicação que se opõe aos governo Lula, e agora Dilma, deram grande destaques às acusações.
“A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu o arquivamento de um inquérito instaurado para investigar um suposto repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o de terem participado diretamente da negociação do repasse.
Essa era a última investigação em curso sobre eventual envolvimento de Lula em crimes correlatos ao mensalão.
A apuração foi aberta em 2013, a partir de um depoimento do publicitário Marcos Valério, preso desde novembro daquele ano por ter sido o operador do esquema.
Interessado em obter benefício de redução de pena, Valério afirmou ao Ministério Público Federal, na reta final do julgamento do mensalão, que a transferência em questão foi acertada em uma reunião no Palácio do Planalto, na presença de Lula e Palocci.
Valério apontou as contas no exterior que teriam sido indicadas ao empresário Miguel Horta, diretor da Portugal Telecom, para realizar as transações com o PT.
No depoimento, Valério disse que Lula tinha conhecimento do mensalão e que o suposto empréstimo da Brasil Telecom serviria para quitar dívidas de campanhas do PT de 2002 e 2004. De acordo com o publicitário, à época, a companhia portuguesa pretendia adquirir o controle da brasileira Telemig Celular.
A Polícia Federal comprovou que o publicitário viajou a Portugal, onde se reuniu com Horta. Do mesmo modo, constatou que Lula esteve com Horta, na presença de Palocci e do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), mas não foi possível saber o teor do que foi tratado.
A polícia não conseguiu rastrear, porém, os supostos desembolsos da Portugal Telecom, “seja porque algumas das contas não foram localizadas, seja porque não foram identificadas movimentações financeiras capazes de indicar pagamentos aos ora investigados”, afirma a Procuradoria no despacho de arquivamento, que data do último dia 3.
Segundo a Folha apurou, de quatro contas investigadas, uma não existia e duas não puderam ser rastreadas, porque a China e a Bélgica não firmaram acordo de cooperação com o Brasil.
Apenas uma conta pôde ser localizada e rastreada pela PF: levou a uma empresa corretora de grãos, com sede em São Paulo e filial na Suíça. Não foram encontrados, no entanto, vínculos entre o dinheiro que por ali passou e a empresa portuguesa e o PT.
Entre pessoas ligadas à investigação, afirma-se que não havia instrumentos para “fechar o caminho do dinheiro”, e que Valério não forneceu informações suficientes.
A investigação ouviu cerca de 20 pessoas em mais de dois anos, entre elas Lula, que depôs em Brasília em dezembro de 2014, e Horta, ouvido no início deste ano. Ambos negaram os repasses. Também prestaram depoimento Palocci, Dirceu e o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão.
Ao final do despacho de arquivamento, a Procuradoria conclui: “As investigações não conseguiram comprovar o desembolso de valores da empresa em favor do Partido dos Trabalhadores”.
Agora, o arquivamento aguarda análise da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, especializada em casos de lavagem de dinheiro.
O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, disse que não comentaria o caso porque não o acompanhou.
“Nós não acompanhamos [a investigação] porque, naquele momento, o Ministério Público não revelou interesse de viabilizar para Marcos Valério uma delação premiada. Nem naquele momento eles tinham a expertise que têm hoje [com a Operação Lava Jato]”, afirmou”.



























