Derrota do decreto do vice foi apenas um recado

A primeira derrota que o presidente Bolsonaro sofreu na Câmara Federal, a revogação do decreto assinado pelo vice, Hamilton Mourão, então interino na Presidência da República, dando poderes a ocupantes de cargos em comissão nos ministérios para classificar documentos oficiais como “secretos” ou “ultrasecretos”, já está sendo encarada na Câmara Federal como um “sinal” dado pelos parlamentares de que a reforma previdenciária só será aprovada se o presidente da República lhes oferecer o direito de indicar ocupantes para os cargos de segundo e terceiro escalões. Cumprindo uma de suas promessas de campanha, Bolsonaro não loteou os ministérios com partidos políticos, como fizeram os ex-presidentes FHC, Lula, Dilma Roussef e Michel Temer.

Ele convidou três deputados federais do DEM e um do MDB para fazer parte do primeiro escalão, mas por livre e espontânea vontade, atendendo a pedido das corporações que eles representam. Mas as direções de seus partidos sequer foram consultadas sobre esses convites. No entanto, não flexibilizar esse ponto de vista em relação a cargos subalternos é caminhar para a ingovernabilidade. Em seu tratando do Nordeste, por exemplo, não existe disputa pelas direções do BNB, Chesf e Sudene porque esses órgãos não são mais “manipuláveis” como foram no passado. Mas é grande a competição entre parlamentares nordestinos pela diretoria da Codevasf. O Dnocs também saiu do rol das repartições públicas “disputáveis” porque está esvaziado e seu orçamento para este ano é curto. Mesmo assim, ou o presidente faz um gesto com os parlamentares governistas ou terá uma surpresa desagradável na votação da reforma da previdência e no pacote anticrime do ministro Sérgio Moro. (Inaldo Sampaio)

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