El Niñio, o  bad boy vai causar prejuízos de R$ 15 trilhões 

Temido   por muitos, ‘O Garoto’ nasceu nessa quinta (8). A certidão foi emitida pelo NOAA (Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA). A notícia nada alvissareira é que dessa vez ele vai provocar prejuízos estimados em US$ 3 trilhões – cerca de R$ 15 trilhões –  à economia global até 2029 e produza condições climáticas extremas no final deste ano, que deve ficar marcado ainda como o mais quente da história. E o Brasil não está a salvo desse bad boy.

O El Niño (O Garoto em espanhol) é um fenômeno climático que causa o aquecimento da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico, provocando chuvas na América do Sul e secas na Indonésia e Austrália. O fenômeno foi descrito pela primeira vez em 1.600 por pescadores peruanos, em um mês de dezembro (o garoto se refere a Jesus). Ele aparece em intervalos de 2 a 7 anos, e sempre se apresenta de uma maneira diferente.

O impacto econômico dessa nova versão do El Niño foi projetado Cristopher Callahan e Justing Mankin, da Universidade de Dartmouth, e publicado na revista “Science”. Para isso, calcularam os prejuízos globais causados pelos Los Niños de 1982-1983 e de 1997-1998, concluindo que as consequências do fenômeno se estendem por cinco anos. Em outra conta, eles estimam em US$ 84 trilhões (R$ 420 trilhões) o total de perdas geradas pelo El Niño em todo século XXI, tendo em vista a maior frequência das mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global, além das consequências adicionais dos gases do efeito estufa que podem ampliar a força dos futuros Los Niños.

Para o Brasil, espera-se mais calor, principalmente entre o final do inverno e o verão. O volume de chuva deve ficar abaixo da média no Norte e Nordeste, e acima no Sul.

“Pode haver inundações severas e solo encharcado no Sul, trazendo prejuízos à produção agrícola”, afirmou o meteorologista da Climatempo, Vinícius Lucyrio, a BBC Brasil. Ele ponderou, porém, que a produtividade na região também pode ser beneficiada pela maior quantidade de chuvas.

Como a intensidade do fenômeno ainda não é conhecida, não é possível ter certeza sobre o comportamento das lavouras no país. Mas os eventos passados indicam que alguns dos cultivos que podem ser negativamente afetados são os do café e da cana-de-açúcar. Já a safra de milho de inverno no Centro-Oeste e a de soja no Sul podem se beneficiar. Há risco ainda para os reservatórios das grandes hidrelétricas do país, localizadas nos estados do Sudeste.

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