Etiópia: A primeira vitória aliada na Segunda Guerra Mundial
Etiópia estava na esfera de controle militar italiana, mas acabou se tornando vitória aliada na Segunda Guerra; entenda!

A Etiópia foi a primeira vitória aliada na Segunda Guerra Mundial. Ao estourar a Segunda Guerra Mundial, a então Abissínia, e antigo Império dos Descendentes do Rei Salomão, eram não só a primeira nação africana que havia conseguido independência. Também era uma das duas que nunca haviam sido colonizadas formalmente.
Porém, no exato momento da guerra, pela segunda vez, e Etiópia estava na esfera de controle militar italiana. A anterior havia sido no século 19; e, agora, desde maio de 1936.
Mas você precisa entender que existe uma diferença: Invadir não significa colonizar. Portanto, a Etiópia nunca foi colonizada. Seu imperador, Haile Selassie, símbolo religioso no mundo rastafári, vivia exilado na Inglaterra, pois havia substituído o rei da Itália, Vítor Emanuel III, de Savoia.
Assim, a Etiópia foi anexada unilateralmente à África Oriental Italiana de Benito Mussolini, que estabeleceu leis racistas e reprimiu a cultura local sem sucesso. Por exemplo, nunca conseguiu eliminar o calendário próprio de 13 meses que ainda hoje usam os etíopes ordenados pela sua igreja ortodoxa.
Enquanto isso, o movimento Patriotas Etíopes, liderado por Abebe Aregai e composto por ex-soldados do Exército Imperial, realizava clandestinamente sua guerra de guerrilhas contra as forças de ocupação, principalmente na capital Adis Abeba.
Essa ação impedia que a Itália conquistasse o que restava livre do país, embora as tropas do Dulce estivessem ocupadas tomando as vizinhas Eritreia e Somália, na época de Somalilândia, um protetorado britânico.
A Segunda Guerra Ítalo-Etíope
A invasão italiana, conhecida internacionalmente como a Segunda Guerra Ítalo-Etíope, durou sete anos até se concretizar a ocupação territorial. Começou em outubro de 1935 e acabou em novembro de 1941, quando ocorreu a Batalha de Gondar.
Foi nela que se denunciou pela primeira vez o uso do gás mostarda desde sua proibição pelo Protocolo de Genebra de 1925. Esse é um dado muito interessante. Os alemães pré-Hitler foram os primeiros a usar o gás mostarda contra os belgas na Primeira Guerra Mundial.

Essa foi a estrela das armas químicas que também usaram os exércitos da Tríplice Entente, os vencedores da Primeira Guerra, em 1917. Usaram na histórica Batalha de Ypres.
Voltando à Etiópia, os italianos com e sem gás mostarda, assim chamado pela sua cor e seu cheiro, cometeram crimes de lesa humanidade na Etiópia. Esses crimes de guerra foram denunciados por Haile Selassie num discurso histórico proferido em Genebra, na Suíça, na sede da Liga das Nações, que, mais uma vez, não fez nada.
Selassie falou: “não podemos confiar apenas na moralidade internacional”. Os etíopes causaram tantos danos às tropas mussolinistas, tanto nas Arditi, que era a infanteria de assalto, quanto nos Bersaglieri, que era a infantaria ligeira, que geraram nelas um estado de paranoia desconfiada, isolando-as quase totalmente de Roma.
A situação resultou em represálias fascistas brutais que, muitas vezes, se estendiam além dos guerrilheiros e atingiam crianças e mulheres inocentes. Com esse cenário, nos surpreendeu que quase os soldados italianos na frente da África Oriental foram extintos.
Força multiafricana
A Grã-Bretanha apoiou muitos patriotas locais, incluindo a transferência do imperador Selassie, exilado em Londres, para o Sudão, onde estabeleceu uma espécie de governo paralelo. Foi ali que o major Orde Charles Wingate formou a força multiafricana, composta por legionários etíopes e de outras 10 nacionalidades. Eles foram fundamentais, em 1941, na libertação da Etiópia, palavra que, segundo a Bíblia, significa sol abraçador.
Essa derrota dos fascistas na Etiópia, em 1941, foi considerada um marco por ser a primeira vitória aliada na Segunda Guerra Mundial. Ela permitiu que as forças fossem rapidamente enviadas ao Egito para enfrentar o avanço do Eixo em direção ao Cairo, retardando seu progresso. Ou seja, eles pararam os tanques da Afrika Korps do alemão Erwin Rommel, o famoso zorro do deserto.
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