A Câmara Municipal do Recife protagonizou na última quarta-feira uma das cenas mais deploráveis de sua história. Aprovou na véspera um projeto de autoria do vereador Alcides Teixeira Neto, obrigando as empresas de ônibus da capital a colocarem ar condicionado em seus veículos, mas no dia seguinte, quando se daria a segunda votação, a maioria que votara a favor ausentou-se do plenário. Cedeu à pressão do Governo do Estado, que banca sozinho o subsídio do transporte de ônibus, embora o sistema seja metropolitano.

Significa que se o projeto fosse aprovado a conta sobraria para os empresários, que por sua vez iriam repassar os custos para o bolso dos usuários, elevando o preço das passagens. Como Pernambuco tem a quarta maior taxa de desemprego do país, protestos inevitavelmente seriam feitos, mas não contra as prefeituras do Recife, Olinda e Jaboatão, que não contribuem para este subsídio, e sim contra o Governo do Estado. É por isso que se diz com propriedade que Pernambuco é o único Estado do Brasil onde se faz protesto contra o governador quando as passagens de ônibus são reajustadas, e não contra prefeitos. Isso, no entanto, não exime os vereadores da obrigação de aprovar ou rejeitar o projeto, pois a forma como procederam virou motivo de piada na própria Câmara Municipal. (Inaldo Sampaio)



























