Há 30 anos Brasil perdia o ‘Senhor Democracia’

Do O Globo

O empresário Arthur Vicintim praticava mergulho em Ponta Negra, a 35 quilômetros de Paraty, no Litoral Sul Fluminense, quando viu passar o helicóptero Esquilo de prefixo PT-HMK, por volta das 16h daquela segunda-feira, 12 de outubro de 1992. O industrial paulista, que também era piloto, estranhou quando percebeu que a aeronave, voando a 30 metros de altitude, dirigia-se a uma região de céu trevoso.

“Para onde ele ia estava muito escuro, tudo preto, o teto colado mesmo, sem visibilidade. E ele passou muito baixo. Dez minutos depois, começou uma chuva fortíssima, com rajadas de vento e granizo. Parecia cachoeira. O mar virou muito, e nos preparamos para voltar para a terra”, explicou Vicintim.

O empresário foi, provavelmente, a última pessoa a ver o helicóptero que levava o deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP) antes de a aeronave cair. Minutos depois, o Doutor Ulysses, como era conhecido o histórico político, que tanto lutou por democracia durante a ditadura, morreu no acidente aéreo. Junto com o parlamentar, eleito 11 vezes consecutivas deputado federal, estavam a sua mulher, Dona Mora, o ex-senador Severo Gomes e a mulher, Henriqueta, além do piloto Jorge Comemorato. Todos perderam a vida na tempestade, há exatos 30 anos.

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