Legião Urbana faz show na Bahia com novo cantor
Daniel Oliveira
Meados dos anos 1980. O cenário político no Brasil era de transição democrática, após 20 anos de governo militar. Na economia, o país vivia forte crise, o que afetava, entre outros setores, o mercado fonográfico. O caminho seguro para as gravadores era apostar em grupos que tinham referência no rock que já fazia sucesso nos países europeus e nos Estados Unidos.
Nesse contexto, bandas do gênero, recém-formadas em garagens de cidades brasileiras, conquistaram projeção nacional, consolidando o “rock nacional”. Entre elas, Legião Urbana, que volta aos palcos em 2015 para turnê e faz show em Itacaré, no Surf Eco Festival, neste domingo, 1º, a partir das 20h.
Ao longo da trajetória, o grupo agregou público fiel e apaixonado, ao dar vazão aos anseios de jovens em letras de forte teor emotivo, político e existencial, e teve fim precoce em 1996 com a morte do vocalista Renato Russo.
Quase 20 anos depois, os integrantes Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos convidaram o ator e cantor André Frateschi para dar voz às composições de Renato Russo, como Tempo Perdido e Que País é Este, em shows por diferentes cidades brasileiras. Além deles, Lucas Vasconcellos (guitarra), Mauro Berman (baixo) e Rodrigo Pollo (teclado) completam a banda.
O novo cantor conheceu os componentes do grupo ainda criança, em 1985, quando acompanhava a mãe, a atriz Denise Del Vecchio, em turnê da peça Feliz Ano Velho, de Marcelo Paiva, que fez dobradinha com apresentações da banda em algumas cidades.
“Um dia, durante esse período, lembro bem, andei em um Passat com o Dado dirigindo e o Renato no banco do passageiro. Eles tinham acabado de lançar o primeiro disco”, conta André.
Reencontro
Em 2013, o artista integrou um espetáculo em homenagem ao The Beatles, no projeto Banco do Brasil Covers, cantando músicas da quarteto inglês ao lado de Marjorie Estiano. Da equipe de instrumentistas fazia parte Dado Villa-Lobos.
Nesse momento ocorreu o reencontro. No ensaio, André contou para o ex-integrante do Legião que sempre foi fã da banda e recordou a turnê de 1985, quando se conheceram. “Ele também lembrou da época e foi super legal”, diz.
O convite inesperado para a turnê, contudo, ocorreu apenas no primeiro semestre de 2015, quando André recebeu ligação do músico. “Foi incrível. Não sei nem definir em palavras esse momento, pois o Legião fala de mim mesmo”.
Show
De acordo com o novo vocalista, a apresentação é dividida em duas partes. A primeira, apenas com faixas do álbum homônimo, de 1985, que completa 30 anos de lançado este ano. Em seguida, outros sucessos da banda são executados, como Faroeste Caboclo, Índios e Teatro dos Vampiros.
“A ideia era fazer uma homenagem ao primeiro disco, então a gente toca ele na íntegra. Depois, apresentamos as outras. Foi difícil escolher 25,30 músicas, em um universo tão rico”, afirma.
Quem espera encontrar um personagem de Renato Russo no palco, com as mesmas características estéticas, timbre de voz ou performance, deve se decepcionar. Mesmo com experiência de ator, o que poderia proporcionar aproximação maior na interpretação, André conta que faz abordagem diferente e não se preocupa em imitar o ex-vocalista.
“Meu foco foi o estudo das letras, aprofundei nisso, no quanto a banda captou o espírito de um tempo em músicas que falam da gente”, completa.
























