Lídice evita comentar declarações de Nilo Coelho sobre sua pré-candidatura

por
Lilian Machado
 

Apontada como forte pré-candidata ao governo baiano nas eleições estaduais de 2014, a senadora Lídice da Mata, presidente do PSB no Estado, evitou comentar ontem as afirmações do ex-governador da Bahia, Nilo Coelho (PSDB), sobre uma possível resistência da líder socialista em articular a sua ida para a sigla, dirigida nacionalmente pelo governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, com quem ele mantém diálogo político.

Através de sua assessoria de imprensa, a senadora disse que não iria declarar nada sobre o assunto. Em entrevista à Tribuna, o ex-governador confessou que teve um encontro com Campos, porém um suposto ingresso no PSB não evoluiu pelo fato de ele não ter encontrado espaço para tal decisão, em cenário baiano.

Nilo disse que sua entrada no PSB era atribuída à sua própria disposição em “ajudar” o governador pernambucano, caso fosse confirmada a sua candidatura ao Palácio do Planalto. “Eu não tive a oportunidade de fazer. Então terminei optando para ficar no PSDB”, disse. Em outro momento da conversa, o tucano reiterou: “Acredito que não tenha espaço para os dois, porque eu cheguei a convidá-la para dialogar e não encontrei. Eu acredito que ela faça alguma rejeição ao meu nome. E se ela faz a rejeição ao meu nome, paciência”, acrescentou.

Fontes próximas ao PSB relatam possíveis dificuldades de diálogo entre a senadora e o ex-governador. Haveria um receio em termos de disputa por espaço entre as lideranças. Nilo, apesar de ter seu cabedal político, atualmente, mais centrado na região Oeste do Estado poderia acabar influenciando nos passos do partido, trazendo desconforto. A “centralização” das decisões em poder da senadora estaria ameaçada, conforme avalia uma das fontes.

Nilo descartou interesse em voltar a disputar uma eleição, mas sinalizou que poderia entrar no PSB com a intenção de contribuir com a candidatura de Campos.

Em conversas recentes, Lídice afirmou que iria lutar para ser a candidata do governador, e projetou a expectativa em torno da definição do PT, prevista para o dia 30.

Presidente e antecessor tentam acalmar Kassab

Em uma operação planejada para conter os danos políticos da investigação que atingiu Gilberto Kassab, o Palácio do Planalto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviaram, ontem, emissários para acalmar o ex-prefeito de São Paulo. Depois da troca de acusações entre Kassab e o prefeito Fernando Haddad, a ordem no governo e na cúpula petista é agir para “administrar” a crise e manter o silêncio sobre as acusações que envolvem o potencial aliado do PSD no escândalo da máfia dos fiscais.

“Não, não, isso não”, esquivou-se ontem a presidente Dilma Rousseff, em Lima, no Peru, quando foi questionada sobre o impacto eleitoral da briga entre Haddad e Kassab. “Estou aqui fazendo uma visita de Estado e vocês ficam perguntando de eleição?” Em conversa reservada com Haddad, porém, Dilma disse a ele que não abrisse mão de combater a corrupção na Prefeitura. “Faça o que tem de ser feito”, aconselhou ela ao petista, na quinta-feira, na Base Aérea de São Paulo.

A orientação contrasta com a avaliação de ministros do PT e dirigentes do partido de que o prefeito agiu de forma “afoita” ao abrir guerra contra Kassab e aumentar o IPTU.  Desvendado por investigações da Controladoria-Geral do Município – criada por Haddad –, o esquema de corrupção na Prefeitura desviou pelo menos     R$ 500 milhões em impostos na gestão de Kassab. “Há um episódio de corrupção endêmica no poder público (…) Foi identificada até uma quadrilha que falsificou R$ 1 bilhão em recolhimentos do Ministério da Fazenda. Ninguém está acusando a presidente”, disse o ex-prefeito ao Estado.

Já Haddad se irritou com as críticas de petistas, preocupados com o impacto na campanha à reeleição de Dilma e na candidatura do ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo paulista. O petista e seu antecessor trocaram acusações em entrevistas ao jornal Folha de S.Paulo.

Anteontem, operadores políticos dos partidos entraram em campo. “Não podemos deixar que um espirro na capital cause uma pneumonia na nossa estratégia estadual e nacional”, afirmou o deputado federal Guilherme Campos (PSD). Mas a crise não se resume às declarações públicas. Vereadores do PSD dizem ter sofrido retaliações e perdido cargos em subprefeituras por terem votado contra o aumento do IPTU. O prefeito alega que substituições são feitas por critério de mérito

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