Médicos do Hospital Clériston Andrade pedem demissão coletiva

Irregularidades nas contratações e condições de trabalho precárias foram os motivos alegados

Cinco médicos, cirurgiões e ortopedistas do Hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, pediram demissão coletiva nesta terça-feira (2). De acordo com o Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), eles alegam que a forma de contração foi feita de forma ilegal. “O médico é obrigado a abrir uma empresa fictícia que é contratada pelo hospital e só tem direito a salário, sem férias, nem 13º salário”, disse Luiz Américo, diretor de comunicação do sindicato.

A principal reivindicação da classe é a regularização da situação trabalhista. Eles querem a realização de concurso público, mas, enquanto isso não é feito, pedem que suas carteiras sejam assinadas para que seus direitos trabalhistas sejam restaurados.

Os profissionais estão pedindo também melhorias estruturais para o hospital. De acordo com Luiz Américo, o hospital não possui alvará de funcionamento emitido pela Vigilância Sanitária porque falta adequação estrutural mínima para a liberação do documento.

A falta de enfermeiros e técnicos em enfermagem prejudica o funcionamento do Centro Cirúrgico e do Centro de Recuperação pós-anestésico, que segundo o sindicato, funcionam de forma improvisada. As carências vão desde medicamentos e materiais essenciais, como antibióticos, remédios para hipertensão, material para curativo, até instrumentos cirúrgicos. “A situação é caótica. Falta quase tudo”, disse Luiz Américo.
O Sindimed afirma ainda que em fevereiro a lista de reivindicações foi entregue à Secretaria de Saúde da Bahia (SESAB), ao Ministério Público (MP) e ao Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb). Como não houve acordo no período de negociações., os médicos optaram por entregar os cargos.

A assessoria de comunicação da Sesab informou que as reivindicações de regularização da situação trabalhista, contratação de enfermeiros e técnicos em enfermagem, além da melhorias estruturais, já foram atendidas. Segundo a secretaria, foi oferecida aos médicos a contratação de acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

A contratação dos profissionais de enfermagem deve demorar um pouco mais, pois depende da realização de concurso público. A Sesab diz ainda que mesa de negociações está aberta e havia sido acordado entre as partes que as tentativas de acordo continuariam até o dia 14 de abril. 

Nesta quinta-feira (3), o secretário de Saúde, Washington Couto, estará em Feira de Santana para expôr medidas contra as atitudes tomadas pelos médicos.

Fonte: Correio

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