Mourão diz que Brasil e China têm relação siamesa, defende BRICS e fala em solução diplomática na Ucrânia

Vice-presidente diz que passagem de Ernesto Araújo pelo Itamaraty causou danos nas relações sino-brasileiras

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(Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O vice-presidente Hamilton Mourão, que participa da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), disse, em entrevista ao jornal O Globo, concedida ao jornalista Marcelo Ninio, que Brasil e China hoje têm uma “relação siamesa”. “A China é extremamente preocupada com a segurança alimentar de seu povo, ela não pode se dar ao luxo de que 1,4 bilhão de pessoas que habitam o país não tenham comida na mesa. Então acho que a nossa relação, Brasil-China, é extremamente siamesa nesse aspecto. Nós somos grandes produtores de alimentos, a China precisa de alimentos, então a gente precisa trabalhar o tempo todo em cima dessa questão. É óbvio, uma vez ou outra acontecem divergências políticas em termos da arena internacional, mas são coisas que podem ser resolvidas dentro do pragmatismo e da flexibilidade que nós temos que ter”, disse ele.

Mourão criticou a passagem do ex-chanceler Ernesto Araújo. “Realmente esses acontecimentos causaram algum mal-entendido, principalmente nas ações que o antigo-chanceler Ernesto andou tomando, e alguns comentários aqui de ministros do Brasil totalmente fora de propósito. Mas em todos aqueles momentos nós procuramos manter aberto o canal de negociação, o canal de diálogo com a China. Se por um lado alguns ministros se expressaram de uma forma não tão diplomática, havia outros, como a ministra Tereza Cristina [Agricultura], que sempre fez um trabalho gigantesco para que os canais de comunicação permanecessem abertos. E também da nossa parte e da parcela do Itamaraty que trabalha com a gente, nós também fizemos todo esse esforço. Tanto que por ocasião da despedida do embaixador [da China no Brasil] Yang Wanming, ele não estava indo a lugar nenhum, mas veio aqui na minha sala para se despedir. Ou seja, mantivemos uma relação de alto nível”, acrescentou.

Mourão defendeu ainda os BRICS e propôs uma saída pacífica para a guerra na Ucrânia. “Apesar de um dos nossos parceiros no grupo estar diretamente envolvido no conflito, não resta dúvida de que é importante que a gente mantenha esse grupo unido, firme, e isso agora nessa reunião de junho vai ser fundamental, para que possa até, a partir do grupo, surgir uma solução para a pacificação daquela região”, declarou.

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