O diário secreto de Marilyn Monroe revelado décadas após a morte da atriz
Suposto diário secreto de Marilyn Monroe teria sido encontrado por detetive aposentado do Departamento de Polícia de Los Angeles, que revelou informações sobre o documento

A existência de um suposto “diário vermelho” de Marilyn Monroe que teria desaparecido pouco depois da morte da atriz, em 1962, foi, durante décadas, objeto de especulações. Recentemente, porém, um ex-detetive veio a público dizendo que o lendário caderno de fato existe e que ele próprio o viu.
De acordo com Mike Rothmiller, oficial aposentado do Departamento de Polícia de Los Angeles, o documento foi encontrado em um setor altamente restrito da polícia e seu conteúdo pode alterar profundamente a narrativa oficial sobre os últimos dias da estrela.
Ele afirma que, durante seu trabalho na Divisão de Inteligência de Crime Organizado do LAPD no fim da década de 1970, teve acesso a arquivos confidenciais que reuniam informações sobre figuras públicas, políticos e celebridades, muitas delas obtidas por meios controversos, como escutas telefônicas e vigilância secreta.
Foi nesse contexto que ele teria se deparado com um dossiê identificado como “Diário de Monroe”. Dentro dele, segundo relata, estavam cerca de 70 páginas fotocopiadas, escritas em letras maiúsculas cuidadosas, reunindo pensamentos íntimos, relatos pessoais e episódios da vida da atriz. As informações são do portal Daily Mail.
Conteúdo do diário
O conteúdo, diz o norte-americano, incluía sexo, traição e referências diretas a dois homens poderosos, chamados apenas de “John” e “Bobby”. Para Rothmiller, não havia dúvida de que se tratava de John F. Kennedy e seu irmão, Robert F. Kennedy. As anotações, segundo ele, descreviam de encontros íntimos — como episódios na piscina — a críticas ao comportamento egoísta de John no quarto.
Mas o conteúdo não se limitava à esfera pessoal. Rothmiller afirma que o diário também mencionava temas políticos sensíveis, incluindo um plano ultrassecreto da administração americana para assassinar Fidel Castro. À medida que as páginas avançavam, ele diz ter percebido um tom crescente de frustração e ressentimento da atriz, que se sentia usada e descartada pelos irmãos Kennedy.
Entre as últimas anotações, datadas de 3 de agosto de 1962 — um dia antes de sua morte —, uma frase teria chamado sua atenção: “Peter disse que Robert virá amanhã.” Para Rothmiller, essa linha é central. Ela contradiz a versão oficial segundo a qual Monroe estaria sozinha no momento de sua morte.

A morte de um ícone
A morte de Monroe, aos 36 anos, foi oficialmente classificada como provável suicídio por overdose de barbitúricos, em sua casa no bairro de Brentwood. No entanto, desde então, o caso alimenta teorias alternativas. Rothmiller acredita que o diário reforça uma hipótese mais grave: a de que Robert Kennedy estaria presente na ocasião.
Sua investigação, segundo ele, não parou no documento. O ex-detetive afirma ter tido acesso a transcrições de escutas telefônicas, fotografias de vigilância e outros registros confidenciais. Esses materiais, combinados, o levaram a uma conclusão controversa: a de que Monroe teria sido assassinada por Robert, então procurador-geral dos Estados Unidos.
Décadas depois, Rothmiller decidiu tornar públicas suas alegações. Em uma carta ao promotor do condado de Los Angeles, Nathan Hochman, ele solicitou a reabertura do caso e uma nova investigação. Entre os pedidos, está a realização de exames toxicológicos modernos em eventuais amostras biológicas remanescentes, capazes de identificar substâncias que não podiam ser detectadas na época.
“A história precisa ser precisa. Se houver erro, deve ser corrigido”, afirmou ele em entrevista.
De Monroe aos Kennedy
Rothmiller relata que seu acesso a esse material foi possível graças à estrutura da unidade em que trabalhava. A Divisão de Inteligência reunia arquivos sobre diversas figuras públicas, nem sempre com base em suspeitas formais. Segundo ele, havia um vasto sistema de catalogação, com documentos guardados em áreas altamente restritas.
Entre esses arquivos, ele encontrou não apenas registros sobre Monroe, mas também sobre os irmãos Kennedy. As informações incluíam relatos de encontros sociais organizados por Peter Lawford, ator que, ao se casar com Patricia Kennedy, aproximou Hollywood da elite política americana. Em festas realizadas em sua casa, nomes influentes circulavam — e, segundo Rothmiller, teria sido ali que os relacionamentos começaram.
O diário, aponta, descrevia esse início com entusiasmo, especialmente no caso de Robert Kennedy. “Bobby é gentil. Ele me escuta. Ele é mais legal que John”, teria escrito a atriz. “Bobby disse que me ama e quer se casar comigo. Eu o amo”
Mas, com o tempo, o tom mudava. À medida que rumores sobre os casos se espalhavam, Monroe teria sido gradualmente afastada. Registros indicariam que ela tentou contato, sem sucesso, e passou a expressar indignação com o silêncio dos irmãos.
Em anotações atribuídas a seus últimos dias, ela teria ameaçado tornar públicos os relacionamentos e revelar informações sensíveis. Segundo Rothmiller, escutas telefônicas indicariam que Monroe falava em convocar uma coletiva de imprensa.

“Eu disse ao José que vou contar para o mundo sobre eles. Eles me usaram. Eu não sou uma prostituta. Jose disse para não contar isso a ninguém. É perigoso’, escreveu certa vez, referindo-se ao seu amigo ator José Bolanos.
O ex-detetive acredita que esse contexto teria criado um cenário de crise para os Kennedy. Se as informações viessem à tona, poderiam causar danos políticos severos. Ainda assim, não há consenso entre historiadores ou investigadores sobre a veracidade dessas alegações.
Um suposto depoimento
Outro elemento central na narrativa de Rothmiller é um suposto depoimento de Peter Lawford, que ele afirma ter obtido anos depois. Segundo sua versão, Lawford teria admitido que Robert Kennedy esteve na casa de Monroe no dia de sua morte. O relato inclui uma discussão acalorada e a entrega de um copo de bebida à atriz, após o qual ela teria passado mal.
Essas afirmações, no entanto, não foram confirmadas por registros oficiais e permanecem objeto de controvérsia. A versão aceita pelas autoridades continua sendo a de overdose, embora cercada de dúvidas ao longo das décadas.
Rothmiller também menciona o nome de Thomas Noguchi, o legista responsável pela autópsia, que posteriormente afirmou ter enfrentado pressões durante o processo. Segundo ele, partes do material analisado teriam desaparecido, dificultando conclusões mais precisas.
O ex-detetive reconhece que nem todas as peças do quebra-cabeça estão disponíveis. Ele estima ter reunido cerca de “95% da verdade”, mas admite que documentos podem ter sido destruídos e testemunhas-chave já morreram.
Apesar disso, mantém a convicção de que houve um encobrimento envolvendo instituições poderosas. Ele também afirma ter recebido apoio informal de ex-colegas, que teriam validado parte de suas conclusões, embora sem se manifestar publicamente.
Sua investigação, diz, chegou a colocá-lo em risco. Ele relata ter sido alvo de um ataque a tiros pouco tempo depois de avançar nas apurações, embora não haja comprovação de ligação direta com o caso.
Hoje, Rothmiller aposta na possibilidade de novas análises científicas para esclarecer os fatos.

























