O momento mais difícil de Raquel

Por Magno Martins

A governadora Raquel Lyra (PSD) atravessa, sem exagero, o período mais delicado de todo o seu governo e também de sua trajetória política. Em nenhuma das eleições que disputou, precisou lidar com tantos problemas graves ao mesmo tempo, atingindo áreas sensíveis da gestão e da credibilidade institucional.

O ponto mais contundente desse cenário é a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a Polícia Federal a atuar no caso da chamada polícia paralela em Pernambuco. A entrada da PF, somada às denúncias de espionagem ilegal reveladas pela imprensa, eleva o caso a outro patamar e coloca o governo sob suspeita nacional, com impactos políticos difíceis de conter.

Ao mesmo tempo, o escândalo envolvendo a empresa Caruaruense, ligada à família da governadora, expõe conflitos de interesse justamente em um setor sensível para a população. O desgaste aumenta com a tramitação de um pedido de impeachment na Alepe e a convocação do primo da governadora, atual secretário de Infraestrutura e Mobilidade, André Teixeira, para prestar esclarecimentos.

No campo social, o governo ainda enfrenta forte reação ao aumento das tarifas de transporte, chegando a recorrer à Justiça para elevar preços, enquanto se acumulam denúncias e irregularidades no setor. Soma-se a isso a demissão relâmpago do presidente da EPTI, Yuri Coreolano, após acusações de racismo e misoginia, evidenciando falhas graves na condução administrativa.

Por fim, episódios como duas viagens internacionais consecutivas sem a transmissão formal do cargo à vice-governadora, Priscila Krause, alimentam desconfiança política em um ambiente já contaminado por crises, incluindo o próprio Hospital do marido da vice-governadora.

O maior desafio de Raquel não é apenas administrar cada problema isoladamente, mas enfrentar o efeito cumulativo desse conjunto às vésperas das eleições. Quando as crises se sobrepõem, o tempo político encurta e a capacidade de recuperação se torna limitada. O que está em jogo agora não é apenas a agenda do governo, mas a própria sobrevivência política da governadora.

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