Opinião: Corrupção também é uma forma de Revolução

Por Horácio Rapadura

Revolução é uma forma de mudança profunda, radical e estrutural na sociedade. E a corrupção também é uma forma de revolução.
Assim vive o Brasil.

O Brasil vive uma contradição cruel: fala diariamente em mudança, mas convive há décadas com estruturas apodrecidas pela corrupção.

O discurso político muda de cor, de partido e de slogan, porém o mecanismo permanece quase intacto.

A corrupção deixou de ser apenas crime; tornou-se cultura de sobrevivência dentro de partes do poder público.
Enquanto o povo enfrenta filas em hospitais, salários baixos, transporte precário e escolas abandonadas, muitos dos que deveriam servir à população transformam a política em investimento pessoal.

O dinheiro que falta na merenda, no remédio e na infraestrutura quase sempre reaparece em campanhas milionárias, acordos obscuros e privilégios vergonhosos.

O mais perigoso é quando a sociedade começa a enxergar tudo isso como algo normal. A normalização da corrupção destrói lentamente a capacidade de indignação do povo.
E um país que perde sua indignação corre o risco de aceitar qualquer absurdo como destino.

O Brasil não sofre apenas pela corrupção do dinheiro, mas também pela corrupção moral: a troca de favores, o silêncio conveniente, a mentira transformada em estratégia e o oportunismo vestido de patriotismo. Muitos falam em revolução, mas poucos estão dispostos a enfrentar os interesses que impedem o país de mudar de verdade.

A grande tragédia brasileira talvez não seja somente a existência de corruptos, mas a permanência de um sistema que frequentemente pune os pobres com rigor e recompensa os poderosos com impunidade.
E enquanto isso continuar, o país seguirá caminhando entre promessas de futuro e ruínas do presente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *