Pacientes provam que é possível conviver com a epilepsia
Ocasionada por descargas elétricas desorganizadas no cérebro, a epilepsia é uma síndrome, que desencadeia alterações no comportamento. A doença pode se manifestar através de crise convulsiva, sensação de “desligamento” por alguns momentos e movimentos automáticos e involuntários do corpo. A falta de conhecimento da população sobre os sintomas fazem com que quem possui a síndrome se sinta discriminalizada, principalmente após os ataques. Para colocar um fim no preconceito que envolve a doença foi criado mundialmente o Purple Day (Dia Roxo), comemorado nesta quarta-feira (26), com o único objetivo de desmistificar e esclarecer que a epilepsia pode ser tratada.
O tratamento da epilepsia é realizado exclusivamente por medicamentos, que são responsáveis por controlar as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epilépticas. O tratamento feito de forma correta pode controlar a doença e, em muitos casos, acabar com as crises. A psicóloga Orquídea Silveira descobriu a doença aos 14 anos de idade e procurou orientação médica para iniciar o tratamento. “Comecei a ter desmaios e minha família me levou para realizar exames que acusaram a epilepsia. Iniciei o tratamento com a medicação e hoje, depois de quase 8 anos, deixei os remédios e consigo levar uma vida normal”, explicou.
A escolha da medicação é individualizada, feita a partir das necessidades e características de cada paciente, pois a maneira como a doença se manifesta é diferente em cada indivíduo. A neurologista Maria Eunice Coelho esclarece que os sintomas acontecem, conforme o comprometimento do hemisfério. Por isso ao identificar alguns sintomas é importante procurar atendimento médico, pois sem a medicação as crises se agravam. “É possível controlar com a medicação, acompanhamento e em alguns casos podem ser feitas intervenções cirúrgicas”.
A falta de informação sobre os sintomas e o preconceito faz com que as pessoas que possuem a doença se sintam isoladas. “Muita gente acha que as secreções liberadas na saliva durante as crises transmitem a doença, isso é um mito”, completou a neurologista.
A identificação logo no estágio inicial pode ser fundamental no tratamento. A empregada doméstica Raqueline Batista tomou um susto com a sua filha, Monalisa Vitória, que teve a primeira crise aos quatros anos de idade. “Ela estava dormindo e de repente começou a revirar os olhos e torcer o corpo. Fiquei desesperada, levei para o hospital e hoje ela realiza o tratamento no Imip”.
Atualmente com 11 anos, Monalisa toma diariamente comprimidos e, apesar de nunca ter tido um ataque na escola, sente vergonha de que algum amigo descubra que ela é “doente”. A epilepsia não é transmitida e as pessoas que presenciarem alguém enfrentando uma crise devem procurar ajudar até a o fim da crise, já que quem está sofrendo o ataque costuma ficar inconsciente e desorientada ao acordar. (NE10)
























