Fisioterapeuta é afastado da seleção de vôlei após acusações de golpe contra jogadoras com prejuízo de até R$ 500 mil

Jogadora desabafou e disse que perdeu R$ 250 mil após confiar no profissional

Por Carol Neves

Samara Rodrigues foi uma das jogadoras a fazer denúncia Crédito: Divulgação

A seleção brasileira feminina de vôlei terá uma mudança em sua comissão técnica para a próxima etapa da Liga das Nações (VNL). O fisioterapeuta Fernando Fernandes, conhecido como Fernandinho, foi afastado e não acompanhará a delegação na viagem à Turquia em meio a denúncias envolvendo empréstimos feitos por jogadoras e supostas pendências financeiras.

A informação foi divulgada pelo blog do jornalista Bruno Voloch, de O Tempo, que apurou que a decisão foi comunicada após uma reunião entre o profissional e a comissão técnica. Segundo a publicação, a opinião de atletas consideradas líderes do grupo também foi levada em conta. Fernandinho confirmou que permanecerá no Brasil. “Ficarei no Brasil para resolver questões pessoais”, disse a Voloch.

Promessa de investimentos com retorno rápido

As denúncias que antecederam o afastamento envolvem relatos de atletas que afirmam ter dado dinheiro ao fisiterapeuta para investimentos nos últimos anos. De acordo com o blog, Fernandinho alegava que os recursos seriam destinados a investimentos financeiros, prometendo retorno rápido dos valores.

Ex-jogadoras da seleção e atletas da atual geração estariam entre as pessoas que afirmam ter sido prejudicadas, de acordo com o blog. O prejuízo total, considerando todos os envolvidos, poderia se aproximar de R$ 500 mil.

Ainda conforme o blog, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) foi comunicada sobre os fatos pelas próprias atletas, mas não teria adotado providências até o momento. A entidade não se pronunciou.

Jogadora desabafa

Uma das jogadoras que decidiu tornar pública sua versão foi Samara Rodrigues, atualmente atuando no vôlei turco. Também ao blog de Bruno Voloch, ela afirmou que informou a situação tanto à CBV quanto ao técnico José Roberto Guimarães antes de expor o caso publicamente.

“A situação chegou ao limite. José Roberto Guimarães e a CBV foram avisados por mim e outras jogadoras. Me senti no dever de antes de tomar qualquer atitude, deixá-los cientes do que estava acontecendo”, declarou.

Samara contou que mantinha uma relação de confiança com Fernandinho e que, há cerca de seis anos, revelou a ele que possuía aproximadamente R$ 200 mil guardados. Segundo ela, o fisioterapeuta ofereceu ajuda para aplicar o dinheiro em um investimento com rendimento garantido.

“Eu comentei há 6 anos com ele que tinha cerca de R$ 200 mil e que esse dinheiro estava parado. Foi quando ele se ofereceu para aplicar a verba com rendimento garantido, aplicação que nunca existiu. Em setembro de 2024 pedi o resgate do dinheiro e até hoje nada. Exigi comprovante de transferência e do investimento, mas nunca mandou nada. Não é que ele investiu e não deu certo, ele gastou meu dinheiro sem pena”, afirmou.

A atleta também relatou que, ao tentar comprar um imóvel, foi orientada por Fernandinho a investir mais R$ 50 mil, sob a promessa de que o dinheiro seria liberado em breve. “O resultado disso é que perdi esses R$ 50 mil, fora os R$ 200 mil, e todo o restante do contrato que assinei, leia-se as prestações, isso tudo por irresponsabilidade dele que não me falou a verdade e me fez entrar contraria essa dívida. É caso de polícia”, disse.

Segundo Samara, mais de 12 pessoas teriam sido prejudicadas, entre atletas do vôlei feminino e masculino. Ela também afirmou que algumas vítimas preferem não se expor publicamente, mas defendeu que o caso seja levado adiante para evitar novos prejuízos.

“Em momento nenhum nossa intenção com o contato era que terceiros resolvessem minha situação. (…) O intuito era fazer com que não permitissem que isso acontecesse com mais ninguém. Eu não conseguiria seguir sabendo que gerações futuras continuariam a ser lesadas”, declarou.

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