Paulo se recusa a pagar transposição se não chegar recurso para adutora

Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

 

O governador Paulo Câmara (PSB), voltou a cobrar a liberação de verbas para a Adutora do Agreste, obra complementar à transposição que vai levar a água captada no rio São Francisco para municípios pernambucanos. Apesar da liberação de R$ 126 milhões de emendas de bancada para a obra, o socialista frisou que o serviço quase foi paralisado por falta de recursos este ano e que esse dinheiro deve acabar em março. Sem a liberação dos R$ 500 milhões restantes para a segunda etapa, ele afirmou que não vai aceitar discutir a gestão da utilização da água, que inclui pagar os custos da energia para bombeá-la.

“Quatro estados vão ter que pagar essa água, que não é de graça. Pernambuco já disse, como a Paraíba e o Ceará, que só vai discutir algum tipo de gestão de utilização da água quando obras complementares estiverem prontas. Enquanto não estiverem, é de responsabilidade do governo federal”, afirmou o governador após entrevista à Rádio Jornal. A conta da operação da transposição gira em torno de R$ 500 milhões por causa da energia necessária para bombear a água.

Consta nos termos de compromisso da transposição que a cobrança da água e o pagamento dos custos de operação e manutenção do sistema ao operador nacional, que até agora é a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), caberão aos estados receptores.

Foto: Divulgação

Nos cálculos feitos pelo presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Roberto Tavares, em março, não será baixo o impacto: seria de 8% a 10% na conta do pernambucano. Paulo Câmara já havia reconhecido que os estados deveriam pagar, mas cobrou “regras claras” e afirmou que os mais pobres deveriam ser isentos.

Sem obras complementares, transposição não atende Pernambuco

O governador afirmou desta vez, porém, que está frustrado com os repasses para a Adutora do Agreste, que vai levar a água da transposição para essa região do Estado. “Quando foi pensada a transposição lá trás, foi feita uma pactuação de como seria isso. Pernambuco só permitiu que os dois canais passassem no solo de Pernambuco se tivessem as obras complementares, então isso é compromisso do governo federal, isso está previsto, é uma contra-partida necessária”, lembrou.

“Vamos cobrar isso de maneira insistente com quem precisamos e fazer os movimentos políticos necessários”, disse ainda. “Nos frustramos com a Adutora do Agreste. Quando a gente vê paralisações em 2015 e a que quase ocorreu em 2017, fica apreensivo com a falta de compromisso com coisas essenciais, como é a falta de água.” As obras da adutora começaram em 2013.

Segundo Paulo Câmara, o dinheiro liberado agora pode levar a obra até março, quando deve ser concluída a primeira etapa, levando água de Arcoverde até São Caetano. A segunda etapa, que precisa de R$ 500 milhões, vai até Caruaru e os municípios vizinhos.

Além da adutora, há o Ramal do Agreste, que sequer chegou a ser licitado e é previsto para depois de 2020. A água seria captada do eixo leste no reservatório Barro Branco, em Sertânia, no Sertão. De lá, seguiria para o açude de Ipojuca, em Arcoverde, também no Sertão. De lá, a adutora levaria a água até Gravatá, no Agreste. Para minimizar a falta do equipamento, está sendo construído a Adutora do Moxotó, que levará água de Sertânia até Arcoverde mesmo sem o ramal. O lado negativo é que isso representa um custo será ainda maior para o pernambucano, devido à necessidade de grandes estações de bombeamento.

Sem essas obras, hoje, mesmo com mais de 200 quilômetros de canais do eixo leste passando por Pernambuco para atender a Paraíba, cerca de 35 mil pessoas são beneficiadas em um único município do Estado. Na vizinha Paraíba são aproximadamente 1 milhão.

O eixo leste foi entregue em março, em cerimônia com o presidente Michel Temer (PMDB) em Monteiro, na Paraíba. A solenidade demonstrou a briga pela paternidade da transposição, iniciada em 2007, no governo Lula (PT), porque dias depois o petista esteve no local fazendo um ato político para também marcar o início do funcionamento. A obra foi inaugurada com sete anos de atraso.

Temer na abertura da comporta do reservatório de Campos, em Sertânia (Foto: Beto Barata/Presidência da República)

Há ainda o eixo norte, o maior e com mais atrasos no serviço. Nele, a água é captada em Cabrobó, no Sertão pernambucano, e levada ao Ceará, passando por Rio Grande do Norte e Paraíba. Esse trecho, porém, ficou com obras paradas por um ano, após atrasos, porque a construtora deixou a obra e a licitação foi envolvida em um imbróglio judicial.

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