Natural da cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR), Walter morou durante anos no Cabo de Santo Agostinho, e mais recentemente, em Jaboatão dos Guararapes, onde passou a trabalhar como mecânico industrial.
“As coisas não estavam indo muito bem aqui”, afirmou a companheira, Stephanny Lima, de 28 anos, em entrevista à Folha de Pernambuco.
Com o sonho de seguir carreira militar e atraído pela promessa de ganhos financeiros rápidos, Walter se voluntariou para missão militar na Ucrânia por meio das redes sociais e viajou em setembro de 2025.

Na ocasião, deixou em Pernambuco a companheira, com quem estava há cinco anos e tinha uma filha de apenas um mês de vida, e outros cinco filhos de relacionamentos anteriores, na esperança de voltar seis meses depois e investir o dinheiro conquistado.
Ele foi para a país através de grupos de recrutamento que atuam amplamente nas redes sociais, oferecendo dinheiro para que brasileiros sigam para o combate.
Na Ucrânia, Walter começou a aprender a usar armamentos e também ajudava soldados. O pernambucano divulgava a rotina em meio à guerra no seu perfil no Instagram.
Segundo Stephanny, o companheiro não se comunicava em outra língua e fazia uso de tradutores. “Eu não sei exatamente o valor que ele ganhou lá, mas conseguiu mandar dinheiro para os filhos dele, para a nossa filha, mas depois não conseguiu mais”, relatou a mulher.
Walter tentou fugir, mas foi pego na Polônia e preso por pelo menos quatro dias. Ele chegou a ser colocado em outro batalhão, mas mantinha o desejo de desistir da missão.
“Agora, final deste mês, em 20 de março, acabaria a missão. Ele ia para a casa de apoio e voltaria ao Brasil em seguida, no começo de abril”, afirmou a mulher.
Na Ucrânia, Walter começou a aprender a manusear armas | Foto: CortesiaO último contato com Walter aconteceu no dia 5 de março, por videochamada. Segundo Stephanny, ele estava muito ansioso para voltar ao Brasil e encontrar a família, incluindo a filha mais nova, atualmente com sete meses de vida.
“Ele falou que me amava e eu falei que amava ele também”, relatou a companheira, destacando que não teve notícias nos dias seguintes porque ele estava em missão. Somente no último domingo (15), Stephanny recebeu a informação de que Walter morreu no dia 6 de março, em combate, ao ser atingido por um drone.
Com a notícia da morte de Walter, foram iniciadas tentativas de confirmação oficial com o batalhão onde o brasileiro estava lotado, mas até o momento os familiares não obtiveram um retorno das autoridades.
Stephanny relata que o desejo da família é velar e enterrar dignamente Walter. Apesar disso, ressalta a dificuldade de reaver o corpo em meio à guerra.

“O que eu fiquei sabendo é que eles não resgatam o corpo porque foi em combate, difícil de resgatar. Ele não vai poder nem ter um enterro digno. A família não vai poder nem velar. A gente fica assim, sem saber de nada”, informou a mulher.
Stephanny conta que a mãe e a irmã de Walter, que moram em Jaboatão dos Guararapes, estão abaladas e desejam fazer uma homenagem para o familiar.
“Ele foi um herói, sempre foi um bom pai, um bom homem, um bom filho, um bom marido. Ele dizia que ia voltar, que era para eu escolher o vestido de noiva que a gente ia casar, que estava louco para ver a filha e que ia dar tudo certo”, afirmou a companheira, destacando que o sonho de Walter era integrar o exército da França.
“Ele amava isso. O que ele recebia aqui no Brasil não dava para viver direito, ele foi atrás de melhorias”, destacou.
A invasão russa na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022 e segue como um dos principais conflitos da atualidade no planeta.
A reportagem da Folha de Pernambuco entrou em contato com o Itamaraty para entender como o governo brasileiro atua em casos como esse e aguarda retorno.


























